PISTAS PARA O TESOURO

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011

A maioria das pessoas espera o ano de 2011 ainda com menos confiança do que eu, quando enfio a pila na minha mulher. – Pensou José, depois de ouvir as notícias na televisão no último dia de 2010.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O alpinista impotente

José olhou para a vizinha, cujo olhar interpretava sempre como indiferente, embora por vezes ela lhe sorrisse. Os seios generosos, o traseiro opulento e as coxas poderosas intimidaram-no e fizeram-no sentir-se pequenino. Imaginou-a nua e depois pensou no seu inseguro e incompetente pénis e sentiu-se a encolher, a secar, a mirrar. Não, não, não, ele nunca conseguiria satisfazer uma mulher daquelas. Nem aquela nem nenhuma outra, mesmo que fosse menos sensual e pujante. Diante de uma mulher, ele era ainda mais incapaz do que uma criança que tentasse escalar uma montanha escarpada e íngreme.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Espírito de Natal

- Porque é que estás vestida desse modo? Pareces a Virgem Maria!
- …
- E que fato de Pai Natal é aquele?
- Aluguei-o esta manhã. Veste-o.
- Para quê?
- É uma fantasia natalícia que me invadiu a cabeça. Uma coisa simples, está descansado!
- Hum!?
-Quero que entres pela janela vestido de Pai Natal e me fodas à bruta. Mas à bruta mesmo, como se estivesses a violar a Virgem Maria!
- A mãe de Jesus? A Nossa Senhora?
- Essa mesmo! Fode essa cadela, atravessa-a com o teu Espírito Santo… Quero ficar com a cona a doer!
- Estou a ver que, apesar de estares vestida como ela, ainda não te identificas completamente com ela.
- Quando me estiver a vir é que tornarei uma autêntica Nossa Senhora, a Nossa Senhora das Putas! Maria, mas nunca mais Virgem!
- Isso é o que eu chamo espírito de Natal!

sábado, 18 de dezembro de 2010

A aflição do ciúme

Uma certa vez, um acaso qualquer levou-o a perguntar se ela já tinha visto o filme “Dr. Strangelove”, de Stanley Kubrick. A resposta deixou-o um bocadinho ciumento e até amuado.
- Vi, vi! Na Cinemateca de Lisboa, com o meu primeiro namorado. Porra, agora que penso nisso… Passaram tantos anos! Estou a ficar velha, não é?
- …
- Sabes que depois, nessa noite, depois de beber algumas cervejas no Bairro Alto, sonhei que voava montada em cima da pila dele – que nalgumas partes do sonho era um enorme míssil atómico e noutras era um foguete fininho mas comprido, como aqueles que, na aldeia da minha infância, atiravam na festa em honra de Nossa Senhora dos Aflitos.
- …

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não há cu que aguente a picha dos bancos!

- O que pensas da crise económica, Tomé?
- … Tenho um colega gay… maricas, bicha até à medula… e ele no outro dia disse uma coisa curiosa quando lhe fizeram uma pergunta semelhante…
- Disse que a culpa da crise é dos heterossexuais?
- Não! Foi uma observação realmente profunda, mas metafórica… Ele disse isto: “Gosto de ser enrabado, mas não há cu que aguente a picha dos bancos!”
- Chamas metáfora a isso, Tomé? Isso é literal, literal, literal… Metáforas são as teorias económicas!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Oh su sexo con luna!

Todas las rosas blancas de la luna caían,
por la ventana abierta, en el cuerpo desnudo ...
Mirando aquellas carnes blandas que florecían,
hundido entre mis sueños, yo estaba absorto y mudo.

Oh su sexo con luna! ¡Esencia indefinible
de su sexo con luna! Hervían los blancores
de la carne, y el rostro, perdido en lo invisible
de la penumbra, lánguido, cerraba sus colores.

Era el enervamiento del dolor ... Y cual una
rosa de treinta años, opulenta y desierta,
el cuerpo blanco se elevaba hacia la luna
frío, espectral, azul, como una pompa muerta ...

Juan Ramón Jiménez

Via

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um cu que talvez prove a existência de Deus

Do outro lado da rua apinhava-se uma multidão de mulheres esperando ansiosamente o início dos saldos, mas Tomé e o colega só conseguiam olhar para um único lugar, como se os seus olhos fossem atraídos para lá pela gravidade invencível de um buraco negro.
- Aquele cu é uma obra de arte maravilhosa! Nem o acaso nem a natureza poderiam ter originado aquela simetria ondulante. Só Deus poderia ter imaginado uma tal perfei...
- Que treta! Então e o cancro e o terrorismo, para não falar no cu da minha mulher… Também foi Deus que os criou? É que não são lá muito perfeitos!
- Foi Deus, sim, para podermos comparar e dar valor às coisas boas. O cu daquela gaja talvez prove a existência de Deus.
- Bem… Se provasse não precisavas de dizer “talvez”. Além disso…
- Caralho! Como podes ser ateu?
- Basta olhar à volta. O mundo é uma desgraça, uma merda muito mal feita! Mesmo que fosse necessário existirem algumas coisas más para podermos reconhecer e valorizar as boas, era preciso as más serem tão numerosas? Não bastava o cancro? Porque é que tinha de existir também o reumático e a espinha bífida? Se houve um Criador…olha, era o cabrão de um incompetente, muito pouco omnipotente e nada perfeito!
- …
- Seja como for, mesmo que Ele tenha criado aquela gaja e o seu esplendoroso traseiro não a pode enrabar, devido ao aborrecido facto de ser incorpóreo. Por isso, é preciso que alguém se encarregue dessa missão… Como tu não podes, por causa do pecado original, dos sagrados sacramentos e de toda essa cangalhada religiosa, eu farei o sacrifício. Fica aqui, que eu vou atravessar a rua e meter conversa!

- Calma aí! Eu acredito em Deus, mas não sou beato e não me importo nada com o pecado original. Não podemos ir os dois meter conversa, senão ela foge. Por isso, que tal tirar à sorte qual dos dois vai?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A perfeição do conjunto

Estava a chover muito e Marta chegou ao escritório encharcada, literalmente a pingar água. Quando tirou o casaco os olhos de Sofia foram invadidos pela imagem dos seus seios colados à blusa cor-de-rosa. Os biquinhos espetados insinuavam-se tanto para a frente que, por instantes, Sofia pareceu sentir o seu toque no rosto, apesar de estar a dois metros de Marta.
- Não aguento mais. Vou atirar-me a ela.
Depois de murmurar essas palavras, Sofia ofereceu-se para ajudar Marta. Foi buscar algumas peças de roupa que guardava no cacifo e foi levá-las à sala onde Marta se fora trocar. Tinha tirado a roupa molhada e estava envolta numa toalha a tiritar de frio. Agradeceu as roupas de reserva de Sofia, que eram mais adequadas à estação fria que as suas e aceitou que ela lhe esfregasse o cabelo com uma toalha. Sofia estava destemida e, sem mais preâmbulos, encostou-se ostensivamente ao traseiro da outra enquanto lhe secava o cabelo. Animada pelo facto dela não se ter afastado ou sequer encolhido, acariciou-lhes os seios mal tapados pela toalha de turco barato do escritório. Marta suspirou, senão ainda de prazer pelo menos de satisfação, e Sofia disse-lhe com a voz rouca de cio:
- Há meses que não penso noutra coisa que não seja fazer amor contigo…
- Pode ser Sofia, também me apetece. Mas, aviso-te já que sou mais do género de foder do que de fazer amor…
Como resposta, Sofia, que a continuava a agarrar por trás, esfregou-se com força no seu traseiro e acariciou-lhe os mamilos com veemência. Mas ao fim de poucos segundos teve de a largar, pois Marta foi sacudida por uma série de espirros. A toalha caiu e o seu corpo nu revelou-se a Sofia, demasiado concentrada na penugem triangular entre as pernas para reparar na beleza sensual das outras partes ou na perfeição do conjunto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sê quem és



"It takes courage to grow up and become who you really are." E.E. Cummings

sábado, 13 de novembro de 2010

Fusão

- Enfia tudo, enfia, até ao fundo… Ahh! Racha-me a cona! Fode-me toda! Viola-me, queridooo… Ahh!
- Eu fodo-te toda, menos a alma… Ai! Aiii! Sim, sim, morde-me a boca outra vez!
Pouco depois, enquanto fumavam o cigarro pós-coital, debateram a ideia de Platão segundo a qual os amantes procuram fundir-se e tornar-se um através do amor.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Meter a mão na massa


Texto humorístico de David Marçal, publicado no Inimigo Público. Também no RN.

É humor, mas quem conhece sabe que a realidade portuguesa é ainda mais desconcertante. O que dá mais vontade de chorar do que de rir.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pergunta retórica

Tinham concordado em fazer “coisas muito porcas” naquela noite, mas durante vários minutos limitaram-se a trocar beijos carinhosos e carícias limpas, sem sombra de perversidade. Estavam sentados na cama e tão abraçados que quase não se podiam mexer.
Depois, ele deitou-a e mordeu e lambeu demoradamente o seu sexo. O furor masculino da sua boca  era tanto que parecia querer mergulhar de cabeça na ofegante fenda. A seguir penetrou-a. Ela encaixou o golpe com um gemido à beira do grito e beijou-o com volúpia. Depois de beijar a boca beijou o nariz e o queixo, ainda molhados pelos sucos vaginais. Os beijos transformaram-se em ávidas lambidelas que substituíam, naquele rosto tão amado e familiar, as secreções da sua vagina pela abundante saliva que o desejo lhe deixava na boca.
Habitualmente, ele gostava de lhe chamar nomes e de misturar ternura e agressividade em palavras como “putazinha” e “safada”, mas quando ela o encharcava daquela maneira a sua excitação crescia tanto que os palavrões atingiam os cumes mais elevados da violência verbal. Esta só não deixava de ser erótica devido ao desejo que a empurrava e ao amor e à ternura que eles nunca deixavam sair da sua cama, por muito sujo que fosse o sexo praticado. Por isso, as palavras violentas e insultuosas não a afastavam dele e, porque simbolizavam a posse dele sobre ela, excitavam-na também a ela. De resto, havia muitas ocasiões em que ela também recorria ao vernáculo mais grosseiro da língua portuguesa.
Quando a língua molhada lhe atingiu os olhos para logo descer novamente para as regiões próximas da boca, ele urrou, possuído por uma exaltação selvagem que teria assustado uma mulher que não o conhecesse bem. Chamou-lhe “puta ordinária” e “porca de merda” e, pouco antes dos gemidos conjuntos do orgasmo, fez uma pergunta a que ela não respondeu, talvez por a considerar retórica.
- Estás a lambuzar-me todo porque gostas do sabor da tua cona, não é?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A subtil diferença entre o com e o em

era belo
o rapaz onde pernoitei

al berto (citado de memória)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O órgão preferido

"O cérebro é o meu segundo órgão preferido."
Woody Allen

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Assuntos domésticos

Assim que a viu, Tomé começou a comer com os olhos uma cinquentona bem conservada e de curvas volumosas que falava ao telemóvel encostada a uma parede do restaurante. Aproximou-se, discretamente mas com uma desculpa para falar com ela na ponta da língua. Ouviu-a dar instruções à criada acerca do jantar e da roupa que era preciso arrumar. Tomé julgou que ela ia desligar, mas a mulher ainda acrescentou um pedido, proferido com a naturalidade com que falara dos assuntos domésticos:
- Só mais uma coisa, Maria de Fátima. Tenho trabalho muito nos últimos dias e não consegui dar muita atenção ao seu patrão. Veja se o coitadinho precisa de alguma coisa, se lhe apetece… sei lá, um broche ou mesmo a coisa completa. Desconfio que ele anda carente e uma hora a foder só lhe faria bem! Se ele quiser não se preocupe com a roupa, está bem?
A mulher desligou e olhou para Tomé, que entretanto se aproximara como se lhe fosse falar. Este, contudo, não conseguiu pronunciar palavra e ficou a vê-la afastar-se bamboleando o roliço traseiro. E, ainda antes de reparar na erecção que prosperava no seu baixo-ventre, observou com filosófica resignação:
- Um broche ou mesmo uma foda completa… Não deixam de ser assuntos domésticos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Garanhão apaixonado

Depois de terem feito amor ficaram muito tempo deitados em silêncio, como se ainda estivessem a absorver o caudaloso rio de prazer em que tinham mergulhado. A certa altura ela murmurou "meu garanhão", enquanto lhe acariciava o peito peludo. Ele riu-se e, diante do deliciado sorriso dela, disse:
- O mérito é principalmente teu. Confundo tanto o sexo contigo que se  fosse para a cama com outra mulher teria provavelmente que usar Viagra...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Leva-me tudo que eu tenha, amor

Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.

António Botto (1897-19599

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sonho literal

- Gostei de te ver comer o gelado ontem! Estás definitivamente melhor. Quase, quase curada.
- Até sonhei com ele ontem à noite.
- Isso é sinal que querias comer outro. Queres que vá comprar um?
- Não é preciso. Eu sonhei que estava a comer o gelado, mas a meio do sonho o gelado transformou-se no teu caralho e até ao final do sonho foi o teu caralho que eu lambi e chupei.
- Eh, eh! Isso é melhor que a opinião de mil médicos: estás curada! Esse sonho é tão óbvio que não chega a ter segundo sentido. Para o interpretar não é preciso ser psicanalista.
- Yeh! É mais literal que uma equação matemática: preciso de foder!

domingo, 19 de setembro de 2010

Desejo impotente

Tomé ia de vez em quando visitar a sua velha tia Irene ao Lar de Idosos onde esta vivia. Um dia descobriu que este tinha um novo hóspede: um velhote de cadeira de rodas cuja cara era vagamente familiar. Tomé reconheceu-o ao fim de alguns minutos: era um gay conhecido em toda a cidade, que tinha desaparecido de circulação há meses atrás devido a uma misteriosa doença neurológica de que ninguém sabia dizer o nome. Durante décadas fora um distinto cavalheiro cujas preferências sexuais despertavam silenciosos olhares reprovadores, mas que, graças à sua discrição e finura de maneiras, nunca causara nenhum escândalo. Mas agora algo se desarranjara no seu cérebro e falava pelos cotovelos, tendo o sexo como tema único. Fazia a sua cadeira deslizar até ao pé dos outros idosos e das suas visitas e, sem nenhum aviso, começava a descrever os seus encontros sexuais com marinheiros e operários. Contaram a Tomé que a frase “havia um preto muito alto com um caralho tão grande que… não havia cu que aguentasse” já tinha provocado desmaios em duas senhoras especialmente afectadas (e, dizia-se, carentes) que lá tinham ido em visita social. O velhote nunca se calava, como se tivesse uma fábrica de palavras e recordações sexuais dentro da cabeça.
- Quem nunca experimentou levar no cu não devia criticar! É tão, tão bom! Eu gostava tanto que às vezes me vinha enquanto era enrabado, apesar de ninguém me ter tocado na picha. Era só o prazer de sentir a picha de outro gajo a enfiar-se-me no cu até às tripas, está a ver? Mas ficar no meio, foder e ao mesmo tempo ser fodido, era ainda melh… Mas, espere aí, não se vá embora. Deixe-me contar-lhe de uma vez em que éramos dez, todos enleados uns nos outros.
Tomé pensou, não sem alguma tristeza, que o velhote já não conseguia desejar mas ainda se lembrava suficientemente do desejo para querer satisfazê-lo.
- Não sei se é uma explicação neurologicamente rigorosa, mas acho que fala porque já não consegue foder. É por isso que é incontinente verbal.
Depois de dirigir essas palavras a si mesmo, Tomé perguntou-se também, mas sem conseguir encontrar nenhuma resposta, se aquela desinibição desregrada provocada pela doença significaria que o velhote agora era mais livre do que quando obedecia às convenções sociais e guardava segredo das suas aventuras sexuais.

sábado, 4 de setembro de 2010

Os olhos do amor

- Estou horrível, uma bruxa autêntica!
- Mentira. Cada dia que passa tens melhor aspecto. E estás mais bonita que estas enfermeiras boazonas todas juntas!
- Melhor sim, mas horrível à mesm…
Um beijo superficial mas intenso nos seus lábios pálidos e descarnados impediram-na de continuar. A enfermeira que vinha a entrar no quarto sorriu e voltou para trás.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A casa da avó é onde o coração quiser

Depois de meia hora a lamber e a perfurar com os dedos os estreitos orifícios da rapariga, e após a aguda explosão de gemidos que se seguiu a muitos gritinhos de prazer, Sofia sentou-se na cama e sorriu, inebriada pelo prazer da outra. Diminuiu o sorriso para metade e ficou calada e imóvel, submersa em pensamentos que a rapariga não conseguia perscrutar, apesar de espreitar com ávida e silenciosa atenção o seu rosto bonito e todos os centímetros da sua nudez. Passaram vários minutos até o silêncio ser quebrado, quando o sorriso de Sofia se rasgou de novo.
- Os teus buraquinhos fazem-me lembrar a casa da minha avó.
- Hã?? A minha cona faz-te lembrar a cona da tua avó?
- Não! Sei lá como era a cona da minha avó! A casa, eu disse a casa. A tua cona e o teu cu fazem-me lembrar a casa da minha avó, que também era muito acolhedora e saborosa – sempre cheia de doces, compotas, xaropes de açúcar e mel, um mel divino! Tal qual os teus buraquinhos!
-
- Não dizes nada? Não importa! As recordações só alimentam a pessoa que recorda. Alimentam e prendem, caso sejam conduzidas por um coração desvairado. Mas, realmente, nada disto tem importância. Anda, vem. Deixa de me comer com os olhos e come-me a sério. Quero ser engolida pela tua boca!
Quando Sofia disse esta última frase, o rosto de Marta pousou sobre o rosto da rapariga e substituiu-o durante alguns segundos, mas desapareceu assim que a língua dela lhe penetrou a boca e as suas mãos lhe tomaram posse dos seios.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O mundo debaixo da mesa

Tomé ficou estupefacto quando, ao entrar na sala de jantar onde a família estava reunida diante de uma deliciosa refeição, viu a perna da irmã estendida por debaixo da mesa e o seu pé descalço a acariciar uma perna que não era do seu amado marido. A dita cuja pertencia a uma prima quarentona e solteira, um mulherão cujo decote e traseiro empinado costumavam deixar os homens a salivar. O mais espantoso era o discreto olhar cúmplice com que o cunhado de Tomé acompanhava a situação. Nunca observara qualquer sinal que indiciasse uma situação daquelas. Era como se, afinal, não conhecesse aquelas pessoas que, no entanto, lhe eram familiares há muitos anos. Debaixo da aparência com que a vida se costumava apresentar havia um mundo inteiro diferente. “Vivendo e aprendendo”, pensou Tomé enquanto ocupava o seu lugar à mesa e se servia de um pouco de vinho.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Teologia sexual

Contaram a Tomé que o padre, enquanto enfiava o pénis na boca das suas paroquianas, dizia: "Chupa, filha, e encontrarás o Reino do Senhor". Quando se tratava de orífícios situados mais abaixo a máxima teológica que proferia era: "Ajuda-me a apagar este fogo que me consome, pobre pecadora! Ajuda-me e salva a tua alma ao mesmo tempo que salvo a minha!"

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O que não se aprende na catequese

Maria viu um grupo de raparigas saírem da catequese, seguidas da catequista. Quando percebeu que esta era uma antiga colega de escola com quem sempre se dera mal resolveu aproximar-se. As raparigas andavam todas nos doze e treze anos e algumas já pareciam umas mulherezinhas. A catequista reconheceu Maria e, a memória da sua inimizade aliada aos rumores que tinha ouvido sobre o seu comportamento, levaram-na a apressar as raparigas. Mas Maria apanhou-as rapidamente e, ignorando a antiga colega, perguntou às outras:
- Meninas, ouviram falar daquele terramoto que houve na China na semana passada? Morreram milhares de pessoas… E aquele bebé que foi queimado pelos…?
- Maria, por favor! Não perturbes as…
- Eu não quero perturbar, mas apenas perguntar uma coisa: como é que raio um Deus bom permite que haja tanto mal? Não costumam falar sobre isso na catequese?
- Maria…
- Claro que não costumam, o padre ainda se zangava se alguém tivesse a ousadia de pensar dentro da sua igreja! Lembro-me bem de como eras uma cabra conformista, sempre a dizer que sim aos professores e… Caralho, que lambe-botas!
- Vamos embora, meninas!
- Vão, mas fiquem a saber que a vossa catequista não é a santa que aparenta: quando andávamos no Liceu ela deixou-se foder por mais de metade dos rapazes da escola e dizia-se que fazia broches aos professores para ter boas notas!
- Vamos, vamos!
A catequista tinha ficado com a cara muito vermelha e o nervosismo fazia-a mexer freneticamente as mãos. As raparigas iam andando à sua frente, mas - curiosas e divertidas com a situação – não se apressavam muito. Depois de as seguir durante alguns metros, Maria parou, mas antes de elas se afastarem muito levantou a voz e disse:
- Vou ensinar-lhes uma oração que a puta cobarde da vossa catequista nunca vos ensinará, embora a conheça bem. Aprendam-na bem, pois em breve vos será útil. É assim: “Deus Nosso Senhor, dá-me a mim um desejo insaciável e aos meus amantes uma picha sempre dura para saciá-lo várias vezes ao dia. Dá-me esporra e prazer em grande quantidade e guarda os filhos para a minha vizinha. Amén!”

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Anti-Virgem

"Se a Virgem Maria concebeu sem pecar, porque é que eu não posso pecar sem conceber?"

Maria Jesus dos Santos (adolescente portuguesa que, quando for grande, pretende ser mais puta e mais rica que Paris Hilton)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fumos de corrupção: com mil caralhos!

Tomé apanhou o jornal no chão e aproximou-se para o devolver ao distinto cavalheiro que o tinha deixado cair. Quando lhe viu a cara reconheceu um dos ministros mais importantes do governo, tão conhecido pelas decisões políticas polémicas como pelas notícias acerca de negócios obscuros em que – dizia-se - tinha estado envolvido antes de ir para o governo – “fumos de corrupção”, costumavam dizer os jornais. Ao estender o jornal na sua direcção, Tomé ouviu uma breve troca de palavras entre ele e a loira espampanante e curvilínea que o acompanhava:
- Com mil caralhos!
- Precisas de vários, não é?
Tomé ficou a pensar se aquilo era mais parecido a uma jogada de ping-pong ou a uma troca de tiros, mas o que mais o surpreendeu é que a segunda fala tinha sido da loira e não do ministro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sexo e a brevidade da vida

SONETO DO PRAZER EFÉMERO


Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!

Bocage

domingo, 1 de agosto de 2010

Bela e sem nariz

Esta mulher é muito, muito bela. Feia é a ignorância, feia é a intolerância, feio é o fanatismo.


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Chantagem deliciosa


Demasiado bêbada para se lembrar da taxista deficiente e do seu insinuante elogio, Sofia chegou a casa e dormiu muitas horas seguidas. A ressaca foi absorvida pelos seus sonhos inquietos e desconexos e, por isso, acordou bem-disposta. Feliz, até. Quando estava a tomar um pequeno-almoço muito tardio, com a mente dividida entre a taxista e Marta, tocaram à porta. Era uma mulher, quase uma rapariga, a vender colares, cuja artesã era a própria. Eram bonitos, sobretudos se observados na mão da sua criadora e vendedora – uma mulata magra, mas bela e repleta de curvas sensuais. Sofia convidou-a a entrar e mostrou-se interessada nos colares. Ofereceu-lhe um sumo de laranja e, no meio de algumas perguntas sobre os preços e a variedade de cores e formas, perguntou se se podiam tratar por tu. Enquanto experimentava os colares, diante de um espelho que tinha ido buscar, foi direita ao assunto:
- Olha… Eu não costumo ser assim tão directa e rápida e tenho dúvidas que isto seja muito ético… Para falar verdade, tenho a certeza que é errado, mas…
- O que estás para aí a dizer? Vais roubar-me os colares?
- Não, não… Compro-te os colares todos, se fizeres amor comigo.
A mulata riu com um riso quase tão deslumbrante como o de Marta e disse:
- Que chantagem deliciosa! É como se me pagasses a dobrar… Que digo eu? Linda como és, é como se pagasses dez vezes mais! Porque é que disseste que é errado?
- Quer dizer que aceitas?
- Minha querida, eu até pagava para ir para a cama conti…
Sofia interrompeu-a com uma carícia súbita nos cabelos e depois atraiu-a a si e colou os seus lábios aos dela.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Boca de metal

A rapariga que vendeu o jornal a Maria deu-lhe o troco juntamente com um simpático sorriso, dividindo a atenção entre o trabalho e o namorado que tinha acabado de chegar. Era bonita, mas tinha um aparelho nos dentes que fazia da sua boca um surpreendente buraco prateado e metálico, como se fosse uma fenda numa máquina. Maria ignorou a simpatia e o brilho de felicidade nos olhos da rapariga, ignorou o amor e a ternura que havia nos gestos do rapaz, esqueceu que conhecia ambos há anos, e, empurrada por um desejo de magoar e ferir não apenas aqueles dois jovens mas o mundo inteiro, vociferou raivosamente:
- Ouve lá ò Cecília Marreca: com essa serra que tens nos dentes de certeza que não consegues fazer um broche ao picha mole do teu namorado! E toda a gente sabe que essa é a única maneira dele endireitá-la por um bocadinho! Por isso… Para que são esses sorrisos felizes?
E saiu porta fora, sem esperar pela resposta do atónito casal e derrubando propositadamente uma pilha de revistas que esperavam a arruamção.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O que é a vida?

"A vida é uma soda!"

Fócrates

(Li esta afirmação, e respectiva autoria, na porta de uma casa de banho masculina numa Universidade de Lisboa, lado a lado com pérolas literárias deste quilate: "O primeiro-ministro além de ladrão é maricas""A mãe do Zé faz uns broches do caralho!", "A Carolina Matias é a maior puta da Faculdade", "Rapaz bonito quer foder e ser fodido"...)

domingo, 18 de julho de 2010

Masturbação motorizada

Tomé meteu por uma estrada secundária. Levaria mais tempo a chegar, mas estava farto do trânsito e dos adeptos da velocidade que enchiam a auto-estrada. Além disso, a paisagem era mais bonita. A certa altura, numa estradazinha que atravessava um bosque viu ao longe uma mota que vinha na sua direcção. Não era bem uma mota, percebeu quando a distância diminuiu. Mais parecia uma simples bicicleta a que, alguém habilidoso, tinha acrescentado um motor. Trazia duas pessoas. Quando a distância permitiu distinguir pormenores, Tomé verificou que se tratava de um homem e de uma mulher muito altos e louros e que ambos pareciam estar nus. Tomé reduziu a velocidade para poder observar melhor e, ainda com espanto, verificou que a mulher - que ia sentada a atrás - tinha o braço estendido de modo a agarrar o pénis do homem. Estava a masturbá-lo! Tomé diminuiu ainda mais a velocidade e quando estava a cerca de dois metros do estranho par viu o esperma saltar abundantemente para o ar, indo cair no guiador da motorizada e no asfalto sujo da estrada campestre. O homem emitiu alguns gemidos de prazer misturados com palavras ditas numa áspera língua nórdica qualquer que Tomé conseguiu ouvir, apesar do barulho dos motores e do chilrear intenso dos pássaros. Quando passaram ao lado do carro de Tomé o homem e a mulher sorriram-lhe com simpatia e acenaram. Tomé correspondeu e, antes de acelerar e os deixar para trás, ainda teve tempo de ver um pouco de esperma a escorrer pela mão da mulher abaixo.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Uma nova vida

O coração do Guilherme estremeceu quando a viu entrar, muito atrasada, na primeira aula do primeiro dia de aulas na Universidade - e, esperava ele, na sua nova vida. O cabelo castanho claro em desalinho rodeava um rosto regular e moreno de mulher jovem que ainda não se convenceu completamente que já não é rapariga. Olhando outra vez, percebia-se que era um rosto muito bonito, habitado por uma beleza imensa e fora do comum, mas que não se impunha à falta de atenção e precisava de ser descoberta. Tinha um vestido branco discreto e largo que sugeria um corpo sensual, embora não revelasse nenhum dos seus segredos.
Havia poucos lugares vazios, um deles ao lado de Guilherme. Sentou-se e, depois de escutar durante alguns segundos a monocórdica explicação do professor sobre a bibliografia do tema B, virou-se e perguntou baixinho: “Começou há muito tempo?” Guilherme teve a sensação de que o sorriso que se seguiu à pergunta tinha enchido a sala de luz e de música. Era uma luz que, além de ser visível, podia ser tocada e era uma música que, além de se ouvir, desprendia aromas inebriantes. Guilherme sentiu que se quisesse poderia voar e que só não voava porque queria estar ao pé dela. Por isso, foi com atrapalhação que percebeu que a voz lhe saiu fanhosa e que a frase “Começou mais ou menos há 20 minutos” soara como um grasnado de pato.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sem cura

Quando o médico lhe disse que estava quase, quase curada e suficientemente boa para ir para casa, Maria teve um dos seus impulsos maldosos e destrutivos, mas, ao reparar no seu rosto bondoso e enrugado pelos anos, conteve os insultos que pululavam na sua garganta e abafou na origem o desejo de lhe apalpar agressivamente o sexo. Foi arrumar as suas coisas com a cara lavada em lágrimas e em silêncio, indiferente às perguntas das enfermeiras. Quando pensou que “estava tudo menos curada” sentiu vontade de bater com a cabeça na parede e atirar-se pela janela. Mas algo a demoveu e não foi o facto de se tratar do 9º andar. Maria não queria perturbar rosto bondoso do velho médico.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Inatingível como a Lua

A nova colega de José era uma daquelas mulheres que fazem os homens virar a cabeça na sua direcção, mesmo que sejam pudicos ou amem muito as suas esposas. Tinha um rosto bonito e, aplicada a si, a expressão “corpo de sonho” deixava de ser uma metáfora gasta pelo uso e tornava-se uma descrição tão objectiva como dizer que as mulheres têm dois seios.
José ouviu os colegas comentarem milimetricamente as suas curvas e “o grande tesão” que sentiam ao vê-la - “fico sempre com uma erecção do caraças”, disse um com a aprovação dos outros todos.
O olhar de José também se afogava nos detalhes do corpo da colega e seguia os seus movimentos e maneios como se nela houvesse um íman para os olhos. Mas fazia-o sem a exaltação masculina e sem o orgulho viril dos colegas. Observava-a com um desejo envergonhado e sujo de tristeza. Em vez de uma veemente erecção ele sentia que, não só o seu pénis como também o seu coração, encolhiam. A visão daquele traseiro opulento fazia-o sentir pequenino, frágil e incapaz - “não tenho picha para aquilo”, murmurava, recordando o seu pénis flácido e indiferente ao corpo nu da esposa roçando-se no seu. Normalmente José só conseguia ter uma erecção se a esposa o chupasse. Isso fazia-o sentir-se desprezível: “As mulheres gostam de chupar uma picha porque a vêem grande, não gostam de chupar para a empinar”.
Passou um colega e disse: “Zé! Estás a chorar?!” José deu uma desculpa vaga relacionada com reacções alérgicas a um medicamento, mas a faísca que disparara as lágrimas fora o pensamento de que as suas erecções, além de difíceis de alcançar, serviam de pouco, pois a rapidez com que ejaculava condenava sempre a sua parceira à frustração.
José limpou as lágrimas com um lenço e encolheu-se sobre si mesmo. Sentia nojo de si próprio e, ao ver o seu reflexo na superfície espelhada de um armário, comparou-se a um papel amarrotado e sujo, tão peganhento e repelente que uma pessoa em vez de lhe jogar mão e pô-lo imediatamente no lixo vai antes buscar a pá e a vassoura.
“Não presto”, murmurou. Vista do buraco da sua vida, a linda nova colega de José era inatingível como a Lua.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Conversa entre dois psicólogos depois de fazerem amor

Um psicólogo e uma psicóloga, ambos behavioristas (ou seja, comportamentalistas), depois de fazerem amor olharam-se ternamente nos olhos. "Tu gostaste", informou ele. Enquanto lhe acariciava os longos cabelos, falou novamente: "E eu? Gostei?"

(Nota: para perceber a piada é preciso saber o que é o behaviorismo.)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poema erótico de Bertold Brecht

O COITO E A SAUNA


Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.

Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,

Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado

Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.

Bertold Brecht

Fingir

"Se os homens não querem que as mulheres  finjam orgasmos não devem fingir nos preliminares."
Autora desconhecida

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Desejo morto

As dores da doença e o enjoo provocado pelos tratamentos tinham-lhe matado o desejo. Tentou convencê-lo a ir para a cama com outra mulher, mas não conseguiu: ele recusava em silêncio e impedia-a de insistir acariciando-lhe os lábios com os seus dedos longos de pianista. Essa recusa encheu-a de lágrimas e ternura e multiplicou o amor que sentia por ele, mas foi insuficiente para reacender o desejo no seu corpo massacrado pelo sofrimento. Sabia que ele precisava de sexo quase tanto como ela precisava dos comprimidos para as dores (antes de adoecer faziam amor três ou quatro vezes por dia) e observava uma certa agitação e tensão nos seus gestos, escondidas atrás da atenção e solicitude constante que ele lhe dedicava.
Pediu para ele se deitar ao lado dela na estreita cama do quarto privativo da Clínica Oncológica. Acariciou-lhe o peito peludo com carinho, mas sem o frenesim insaciável de outrora. Depois a sua mão percorreu o caminho que tão bem conhecia e foi acariciar o surpreendido e flácido pénis. Apesar do inicial protesto dele, o membro tão esquecido e negligenciado nas últimas semanas reagiu prontamente com uma compacta erecção. A sua mão magra, mas não esquecida da antiga sabedoria, desapertou rapidamente os botões e tirou o animal renascido para fora. Não olhou, para não aumentar ainda mais a mágoa e a culpa desesperada que a ausência de desejo a faziam sentir. Fez os movimentos que a memória das acções passadas lhe recomendou e, apesar da sua falta de calor, foi bem sucedida. O pénis inchou de excitação na sua mão fechada e pouco depois recompensou o seu esforço com uma abundante ejaculação, acompanhada de um crescendo de gemidos de prazer.
“Obrigado”, disse ele com uma pontinha de vergonha, enquanto limpava o esperma com uma toalha. “Obrigada eu, meu amor! Obrigada por existires!”, respondeu ela.

sábado, 3 de julho de 2010

Há coisas que não são eróticas

Desde que, há oito anos, fora viver naquela casa, Tomé - com a ajuda dos seus binóculos de observar pássaros - conseguira várias vezes ver um vizinho do prédio a ter relações sexuais. Com a esposa, com a irmã e com as filhas, que eram raparigas de dezassete ou dezoito anos e que agora já iam nos vinte e tais. Nunca passaria pela cabeça de Tomé ir para a cama com a irmã, apesar de esta ser dona de uma sensualidade esplendorosa, nem com as filhas, se as tivesse. Mesmo assim, aos seus olhos, o facto dos amantes que espreitava terem laços de parentesco acrescentava um delicioso travo de coisa proibida às cenas e parecia reforçar o seu erotismo e atracção. Mas um dia Tomé observou algo inédito e chocante: a parceira de coito do vizinho da frente era uma criança. Focou melhor os binóculos e reconheceu-a: era uma das netas do homem e não devia ter mais de sete anos. Aquelas lentes tinham custado uma fortuna, mas conseguiam mostrar com nitidez as cores de um pássaro a muitas dezenas de metros. E agora conseguiam impedir que a distância escondesse as lágrimas da menina do olhar consternado de Tomé. Este pousou os binóculos, pegou no telemóvel e telefonou para a Polícia. Enquanto esperava que a chamada fosse atendida murmurou para si próprio: “Merda! Há coisas que não se fazem! Há coisas que… Há coisas que não são eróticas!”

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Qual dos dois tem razão?

“O Belo é difícil.”
Platão

“Com o correr dos anos, observei que a beleza, tal como a felicidade, é frequente. Não se passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o melhor verso da literatura, mas também os mais infelizes. A beleza não é privilégio de uns quantos nomes ilustres.”
Jorge Luís Borges, “Los Conjurados”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Thanatos: o desejo de destruição

O simpático vizinho divorciado de Maria voltou a convidá-la para sair e ela voltou a recusar e a sentir-se infeliz e miserável por ter recusado. Passou horas a beber no canto escuro de um bar e quando saiu para a rua mal se segurava de pé. Cambaleava, tropeçava nos próprios pés e caiu algumas vezes.
Estimulado pela bebedeira, mas proveniente das zonas mais profundas da mente, um estranho impulso de sujar, destruir e magoar tomou conta de Maria. Quando uma turista inglesa se debruçou sobre ela para a ajudar a levantar, após uma das quedas, Maria chamou-lhe “bitch” e apalpou-lhe os fartos seios com violência. A mulher deu um passo atrás, surpreendida e assustada, e afastou-se fazendo um gesto de desdém. Maria levantou-se, frustrada porque nenhum dos transeuntes parecia ter-se apercebido do que ela tinha feito.
"Merda de psicólogo! Ele que se vá foder com as suas teorias! Desejo de morte e destruição a puta que o pariu! Thanatos deve mas é ser nome de cão em grego!" - Pensou a mente confusa e etilizada de Maria.
Viu um homem de vinte e poucos anos a empurrar um carrinho de bebé e, aproximando-se por trás, apalpou-lhe o traseiro e o pénis. Quando este se voltou, surpreendido e pálido, deu-lhe uma bofetada e disse para uma estupefacta vendedora ambulante de flores: “Porra! Tem uma picha tão pequena que … hic! não sei como conseguiu fazer um filho!”
Caminhou pela rua abaixo num passo trôpego e aproximou-se de dois homens de meia-idade que conversavam enquanto iam folheando o jornal. Depois de pronunciar um alcoolizado boa tarde, Maria disse: “Ontem ouvi as vossas mulheres a conversar com algumas amigas… Hic! Contaram que vocês, seus pandeleiros de merda, não conseguiam satisfazê-las na cama. Elas achavam que a culpa era da cerveja e do futebol, mas as amigas explicaram-lhes que vocês são dois grandes maricas e que andam a enrabar-se um ao outro e… Hic! Agora toda a cidade sabe! Seus maricas!” Estas últimas palavras foram ditas a gritar, pelo que diversas pessoas olharam para Maria com curiosidade e reprovação. Os dois homens olharam um para o outro e afastaram-se dela, dizendo que ela “além de bêbeda deve ser maluca”. As pessoas que estavam por perto concordaram: “sim, está com os copos e é maluca”. Maria olhou-as com um ar enraivecido e chamou-lhes “filhos da puta brochistas” e depois caiu outra vez. Ninguém se aproximou para a ajudar.
Quando se levantou foi acometida por uma grande convulsão e vomitou. Ficou com os sapatos e o vestido todos sujos, mas nem olhou. Foi andando ao acaso pela rua, cabisbaixa e com as lágrimas a correrem-lhe em cascata. Encostou-se a uma parede e voltou a vomitar. As pessoas que passavam abanavam a cabeça e desviavam o olhar. Maria via-as através das lágrimas mas não disse mais nada. Quando recomeçou a andar em direcção a casa esbofeteou-se a si própria quatro vezes e com tanta força que um fio de sangue começou a escorrer do canto da boca. O impulso destrutivo tinha-se virado contra ela. Aproximou-se de uma carrinha estacionada no passeio e sem que ninguém visse bateu com a cabeça contra o metal. O sangue começou também a escorrer do nariz. Meteu por uma rua escura e quase deserta e antes de chegar a casa voltou a esbofetear-se. O vómito, as lágrimas e o sangue colavam-lhe o vestido de linho ao corpo. Se alguém olhasse com atenção suficiente talvez conseguisse ver, para além da repugnante sujidade, a beleza e a sensualidade.

sábado, 26 de junho de 2010

Geografia sentimental

"Sem desfazer do cu, a cona e as mamas da minha mulher são os lugares mais bonitos do mundo!"
Manuel Caracoleta, 56 anos, pedreiro, apreciador de cerveja e futebol.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A necessidade do amor infeliz

“O amor feliz não tem história. Só existem romances de amor mortal, isto é, do amor ameaçado e condenado pela própria vida. O que exalta o lirismo (…) não é o prazer dos sentidos nem a paz fecunda do casal. É menos o amor realizado que a paixão de amor. E paixão significa sofrimento. Eis o facto fundamental.”
Denis de Rougemont, O amor e o Ocidente

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Fuga para a frente

Um psicólogo explicou um dia a Maria que ela não estabelecia relações afectivas estáveis e mudava constantemente de parceiro sexual para camuflar a falta de auto-estima e o medo de ser rejeitada. Era uma predadora sexual que abordava homens desconhecidos e os convidava abruptamente a ir para a cama apenas porque se achava feia e temia que ninguém se interessasse por ela e a amasse verdadeiramente. Como se fugisse para a frente, concluiu o psicólogo com um sorriso compreensivo. Sem pensar duas vezes, Maria disse-lhe que estava enganado e abandonou tão precipitadamente o consultório que se esqueceu de pagar a consulta.
Foi nessa saída precipitada que pensou quando, meses mais tarde, o seu simpático vizinho do lado esquerdo, um bonito divorciado de trinta e tal anos, a convidou para sair. Maria gostou do seu sorriso simpático embora levemente irónico e adorou o modo atrapalhado como ele disse “…ver um filme ou jantar… ou ambos”, mas disse que não podia e inventou uma mentira gaguejada e implausível que envolvia excesso de trabalho e dores de cabeça.
Maria saiu quase a correr do elevador e fechou a porta de casa atrás de si com uma força que não sentia, odiando-se por ter dito que não. Não sabia porque tinha recusado, mas ao pensar nisso as palavras do psicólogo invadiam-lhe a mente e tapavam os outros pensamentos. Começou por ficar irritada - “parvo do psicólogo”, disse em voz alta -, mas em poucos minutos a raiva transformou-se em tristeza e as lágrimas começaram a deslizar devagarinho pela cara abaixo. Maria, que raramente chorava e tinha fama de cruel, deixou-se cair em cima de sofá com um copo de whisky na mão.

sábado, 19 de junho de 2010

Solidão

"Sinto-me tão sozinha", disse Maria ao chegar ao pé do mar. Havia quatro dias que não falava com ninguém e dois dias que não tinha relações sexuais, nem sequer consigo mesma.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mercearia de bairro

Tomé nem queria acreditar: a dona Fátima da mercearia estava meio deitada sobre os sacos de batatas e João Calado, o rapaz negro que ia entregar as hortaliças que ela comprava na horta do velho Espraguina,  penetrava-a por trás. Tomé ficou a espreitar, escondido atrás da prateleira das massas e do arroz. "Com  força, enfia com força", gemia ela. Quando, depois de alguns gemidos mais intensos, o rapaz se desenfiou e dona Fátima se levantou, Tomé saiu silenciosamente para a rua. Dois minutos depois voltou a entrar, com um sonoro "boa tarde" a acompanhar o segundo passo. Viu diante de si o rapaz, que não tinha mais de 16 anos ("o sortudo do preto", pensou Tomé, com simpatia), carregando duas caixas vazias. Por seu turno, dona Fátima varria a mercearia: jogava a vassoura debaixo das prateleiras com um ar tão atarefado e compenetrado que parecia estar a fazer aquilo há pelo menos uma hora. 

terça-feira, 1 de junho de 2010

Futebol de ataque

Maria observou com atenção os vários rapazes que estavam a jogar à bola. Eram quase todos ainda crianças e não lhe interessavam, mas o mais velho já tinha certamente 17 ou mesmo 18 anos. Era alto, bastante musculado, muito loiro e bonito. "Lindo de morrer", pensou Maria. Estava em tronco nu e o suor escorria pela sua pele morena, sobre os músculos bem delineados. Encharcados em suor, os calções colavam-se à pele e não escondiam o robusto volume viril entre as ágeis pernas. Quando o rapaz saiu do campo e tirou uma garrafa de água da mochila, Maria  aproximou-se impetuosamente dele e disse-lhe sem rodeios: "Jogas bem futebol, mas aposto que nunca estiveste com uma mulher. Queres fazer amor comigo?" O rapaz, atónito, balbuciou: "O quê?!" Maria atacou novamente e respondeu  numa linguagem directa que não é usual utilizar com desconhecidos, mormente se o assunto é sexual: "Fazer amor comigo! Ir para a cama, foder... Queres?"

domingo, 30 de maio de 2010

Erotismo conservador e conformista

Depois de passar horas a ver sites e blogues ditos eróticos, Tomé concluiu com tristeza:
- Nem na Igreja Católica se encontra tanto conservadorismo e conformismo! Esta gente não percebe nada de sexo, nem - bem vistas as coisas - da vida. Viva a liberdade, porra!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Salada de álcool e desejo

Sofia bebeu demais na festa de anos do chefe. Foi a única maneira que encontrou para compensar a frustração que a invadiu quando percebeu que a Marta não iria à festa. Mas, seja qual for o motivo que leva a mão a pegar no copo, a verdade é que vodka e vinho tinto não ligam bem, principalmente se bebidos em grandes quantidades. Quando saiu para a rua, Sofia percebeu que não conseguiria conduzir até casa. Por isso, caminhou em frente à procura de um táxi. Viu um ao fim de poucos minutos e acenou. Era conduzido por uma mulher: jovem e simpática, mas com uma cara extraordinariamente feia. Ao sentar-se a seu lado, Sofia reparou que tinha também uma deficiência qualquer numa das pernas (o que explicava as muletas no banco de trás). Todavia, o que prendeu o seu olhar e a impediu de pronunciar a morada de modo inteligível foram os enormes e firmes seios da taxista. Os biquinhos quase rompiam a blusa azul, tão tesos eram. Sofia gaguejou novamente o nome da rua onde vivia e depois - ajudada pela salada de vinho e vodka - acrescentou:
- Minha senhora... hic, deixe que lhe diga, hic, que tem as mamas mais bonitas que já vi na vida. Nem a Marta consegue competir consigo, hic.
A mulher sorriu e respondeu:
- Se as dessa Marta são melhores que as suas, então ela é um caso sério!
- Hic!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Plenitude

Sebastião pegou em vários lenços de papel e limpou rapidamente o esperma do pénis, dos pêlos púbicos e do ventre. Depois, tirou do bolso um lenço branco de linho e perguntou ao rapaz se o podia limpar. Sem esperar pela resposta deste, ajoelhou-se e limpou-o com movimentos lentos e exageradamente precisos. Apesar dessa minúcia, ainda sobraram restos de esperma nos pêlos púbicos e no pénis do rapaz. Acariciou-lhe a perna e depois os testículos com a mão livre. O pénis começou a enrijecer novamente, mas Sebastião meteu-o na boca ainda antes de estar completamente duro e empinado. Era a primeira vez que fazia aquilo, mas não estranhou o sabor, pois já tinha provado o seu próprio esperma. Fez vários movimentos de vai e vem e depois abocanhou só a ponta e chupou, de modo intenso mas suave. O rapaz gemia de olhos fechados, como se quisesse concentrar-se melhor no prazer. Sebastião lambeu-lhe os testículos e depois voltou a chupá-lo num voraz vai e vem. O pénis do rapaz enchia-lhe a boca e agredia-lhe a garganta, mas isso não lhe causava nenhum mal-estar. Pelo contrário, dava-lhe um prazer que excedia em muito o corpo e lhe invadia a mente. Como se pénis do rapaz estivesse a foder-lhe não apenas a boca, mas o próprio coração e, para além do coração, o seu próprio ser - a sua essência mais íntima e autêntica. Sebastião sentia-se cheio, completo, realizado e feliz, muito feliz. Fazer um broche àquele rapaz bonito, num castelo velho com mais memórias do que pedras, fazia-o experimentar uma sensação de plenitude que nunca tinha conhecido. “Nasci para isto”, pensou. Quando sentiu na boca um liquidozinho, como que a sentinela avançada das vagas de esperma que a ejaculação traria, a sensação de plenitude cresceu e transformou-se num arrebatamento desvairado e veemente. O ritmo do vai e vem chupista tornou-se frenético. As suas mãos, que já há minutos acariciavam as nádegas e as pernas do rapaz, tornaram-se mais ousadas e sofregamente dirigiram-se até ao seu ânus. Este disse, numa mistura de palavras e gemidos: “Sim, sim! Mexe-me no cu que eu gosto!” Sebastião enfiou-lhe o dedo no ânus, sem abrandar o ritmo a que o chupava. Quando o dedo ficou completamente enfiado, os gemidos do rapaz transformaram-se em urros misturados com palavrões, em que o verbo enrabar era várias vezes conjugado. O rapaz começou também a mover-se para obrigar o dedo a enterrar-se mais no seu ânus. O frenesim dos dois era tão grande que, de cada vez que Sebastião engolia o pénis, tocava nos pêlos púbicos com os lábios. As golfadas de esperma surpreenderam Sebastião, mas continuou a chupar sem vacilar, até que todo o líquido saiu. Engoliu uma parte, demasiado excitado para não gostar, e limpou com a mão, num gesto insinuante e propositadamente amaricado, a grande quantidade que lhe escorria pelo queixo abaixo.
- É bom?
- Chupar-te foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida!
- Eu adorei tudo o que me fizeste. E agora também te quero chupar.

 

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cedo de mais

A ejaculação chegou cerca de trinta segundos depois de José a ter penetrado, ainda ela não se tinha sequer aproximado da metade do caminho até ao orgasmo. José tirou o corpo pesado e pouco ágil de cima do insatisfeito corpo da mulher e afundou a cara nos lençóis. Nenhum dos dois falou. Ela não fingia orgasmos, mas tentava sempre disfarçar a frustração. Fez um esforço para normalizar a respiração e largou uma carícia nos ombros de José, logo seguida de um rápido beijo nos cabelos. Depois, com uma lentidão involuntariamente sonora, virou-se na cama como se fosse dormir. A sua infelicidade era aguda como uma dor, mas a obscuridade do quarto tornava-a invisível e incomunicável. Esperavam-na horas de insónia, a ouvi-lo ressonar e a cheirar as exalações do litro de vinho que ele tinha bebido ao jantar. José gostaria de a beijar e abraçar, mas não queria que ela percebesse as suas lágrimas. Murmurou baixinho “não presto para nada” e ao fim de poucos minutos adormeceu, submerso nos vapores do álcool com que todos os dias se anestesiava.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cancro na alma

- Está aqui o número. Telefona para o médico e pergunta se ele te pode ver hoje.
- Mas para quê? São só umas dores de cabeça…
- Que duram há quase uma semana!
- Isso é porque tenho trabalhado demasiado. Não receies! Não tenho nenhum cancro nem nada do género… Excepto, claro, o meu velho cancro na alma. Ouve: esta tarde não vou trabalhar, durmo a sesta e vais ver que à noite já consigo fazer amor contigo.
- Faz isso, mas vai também ao médico. Ontem prometeste-me! Vai ao médico e…
- Diz que gostas de mim.

domingo, 16 de maio de 2010

Dor de cabeça

- E então?
- Desculpa, não me apetece.
- Dói-te a cabeça outra vez?
- Sim.
- Só desculpo se amanhã fores finalmente ao médico e...
- Ok, eu vou! Desculpa isto tudo. Eu gosto de ti e quero fazer amor contigo, mas sinto-me mal e ... Interrompi o que estavas a dizer. O que ias acrescentar?
- Ia dizer que só te desculpo se, além de ires ao médico, me deres um beijinho.
- ...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A armadilha do diabo

“Os ascetas dizem que a beleza é uma armadilha do diabo e, efectivamente, só a beleza torna tolerável uma necessidade de desordem, de violência e de indignidade que está na raiz do amor.”

Georges Bataille, O Erotismo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cabeça perdida

Quando a colega lhe perguntou se podia trocar de turno com ela, Maria perdeu a cabeça e gritou: "Vai à merda, grande puta! Ainda queres mais privilégios? Quantas vezes já mudaste de partido? A quantos chefes já fizestes broches?"

A colega ficou muito vermelha, mas respondeu a Maria de modo calmo: "Nisso de mudar de partido... tenho mais que tu, reconheço. Mas, em relação aos broches profissionais (por assim dizer, cara Maria), pensa bem: não me estarás a ganhar por larga margem? Pensa bem, fofinha: mesmo que contemos aquele minete que te fiz na festa de Natal como se fosse um broche feito por mim, a quantidade de caralhos que te entrou pela boca dentro deste que foste espulsa da escola e começaste a trabalhar  não será muito, muito maior que a minha?"

Maria deu-lhe uma bofetada e chamou-lhe "Puta incompetente". "És uma frustrada de merda! Passas a vida a mamar caralhos e nem sequer és capaz de levar o broche até ao fim...Quantas vezes conseguiste engulir sem sentires vómitos?"

A colega  não reagiu à bofetada, mas quando ouviu falar de "vómitos" atirou-se em cima de Maria e bateu-lhe com a mala na cabeça. Se ainda houvesse alguém no escritório aquela hora Maria teria gritado para criar escândalo, mas assim, recorrendo à agilidade dada pelos treinos de Judo, limitou-se a afastar-se e a empurrá-la contra a parede. Quando a colega caiu no chão, Maria sentiu-se tomado de uma emoção que nunca tinha sentido na vida e, de modo muito rápido e violento, esbofeteou-a. Quando ela começou a chorar agarrou-lhe nos cabelos como se lhe fosse bater com a cabeça contra a parede, mas, em vez disso, levantou a saia e tirou as cuecas e urinou em cima da colega. Ao ver as lágrimas que esta soltava sentiu vontade de a esbotear outra vez, mas em vez da galheta disse: "És realmente uma frustrada merdosa! O teu amante, aquele gordo imundo e mal cheiroso da Contabilidade, nunca sabe se deve primeiro foder-te a ti ou enrabar o pandeleiro do teu marido... Metes-me nojo!"

Para sincera surpresa de Maria (que é muito menos púdica e moralista que os escassos leitores deste blogue, incluindo aqueles que só falam de sexo), a Maria engoliu e lambeu toda a urina que conseguiu e depois pediu: "Deixa-me lamber-te Maria! Quero enfiar a língua na tua cona e morder outra vez esses pentelhos ruivos!"

Maria foi implacável: "Eu deixo, mas primeiro tens que me lamber o cu! E olha que não deve estar muito limpo pois..."

A frase de Maria foi interrompida por um gesto da colega que não vou descrever e que os caros leitores farão o favor de imginar, se isso não exceder a  tolerância da sua imaginação.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ao ar livre

- Não vamos ao castelo. Vamos antes àquele bosque... Como se chama?
- Mas tinhas dito que querias dar um passeio na Cidade Velha e depois ir ao castelo! Até disseste que quando chegássemos à torre mais alta me fazias um "biquinho"...
- Deu-me uma vontade súbita de levar no cu ao ar livre e no castelo não é possível, apesar de quase ninguém ir à torre. Na outra vez os funcionários desconfiaram de alguma coisa...
- Pudera! Quando te vens fazes mais barulho que uma égua! Mas é verdade que naquele bosque podes gemer e resfolegar à vontade, só os pássaros e as lebres é que te ouvirão.
- Como se tu não fizesses barulho nenhum! Ainda não tens a picha completamente enfiada e já arfas como um cão com sede! Seja como for, faço-te o "biquinho" à mesma...
- Broche seguido de uma enrabadela... Como poderia eu recusar, minha querida?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pornografia

- Queres ver um filme pornográfico?
- E se fizéssemos nós a pornografia? Vamos já para a cama e, em vez de quarenta minutos, fodemos três ou quatro horas...
- Pode ser! Só que... não será pornografia! A pornografia está no modo como se mostra e como se vê o sexo, e não nos próprios actos sexuais. Por muito atrevidos que sejamos na cama, por "porcas" que sejam as coisas que lá fazemos, nunca faremos pornografia... Nós apenas fazemos amor, meu amor!
- ... Explica lá isso melhor! E... bem, disseste a palavra "porcas" de maneira estranha... afectada! Porquê?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Primavera nua


Como o Inverno insiste em não se ir embora, e não despede nem o frio nem a chuva, a coitadinha da Primavera ainda se constipa. Uma vez que o corpo humano é uma fonte natural de calor, o nosso dever é abraçá-la e acariaciá-la, a ver se conseguimos aquecê-la.

terça-feira, 23 de março de 2010

Anunciação

A dona Imaculada Silva, enquanto varria a Igreja, disse a Tomé que, muito provavelmente, "o senhor padre" se encontrava na Sacristia, "a fazer os preparativos da próxima missa, a preparar-se para anunciar a Palavra de Deus". A porta estava entreaberta e Tomé, que precisava falar com o padre por causa do casamento da irmã, entrou. Mas recuou após o primeiro passo. O padre estava sentado numa cadeira, ainda com o traje clerical usado na missa das 11 horas vestido. Ajoelhada a seus pés estava Purificação Silva, a irmã solteirona da dona Imaculada Silva. Dona Purificação, conhecida pela sua piedade cristã e pureza de valores, tinha o pénis do padre na boca e chupava-o vigorosamente. O padre acariciava-lhe os seios, ocultos sob as sóbrias e castas roupas. Nenhum dos dois deu pela espreitadela de Tomé, que se retirou silenciosamente. Enquanto dava meia volta, fez o sinal da cruz ao passar diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima e lamentou intimamente não poder ficar a ver sem ser visto. Lembrou-se também de um dicionário que Purificação Silva lhe emprestara há meses e resolveu que depois passaria por casa dela para lhe devolver o dicionário e, claro, agradecer o empréstimo. Resolveu também que iria sem se anunciar.

sábado, 20 de março de 2010

Fazer amor em vez de foder

- Mexe-te devagarinho. Assim, suavemente, suavamente. Eu sei que tinha dito que queria ser cavalgada e fodida à bruta, mas afinal... Vamos só fazer amor, está bem?
- ...
- Esse beijinho na cara foi bom! Agora beija-me na boca, mas com ternura. Amanhã voltamos às porcarias porcas, ok?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Prioridades

- Vem-te na minha boca. Tratas da cona depois, querido!

terça-feira, 16 de março de 2010

Patriotismo

Maria nunca soube explicar bem o que lhe passou pela cabeça naquele dia, mas, em tom de brincadeira, disse a uma amiga que tinha sido “um acto de patriotismo”. O rapaz não era especialmente bonito, embora a farda de soldado e os caracóis louros lhe ficassem bem. Depois de lhe ter dado a informação pedida, e quando ele já se começara a afastar sorrindo e agradecendo, Maria puxou-o por um braço. Sem dizer palavra, arrastou-o até um canto discreto do jardim. Beijou-o na boca. O rapaz, apesar da surpresa, correspondeu e a sua língua invadiu a boca de Maria. Esta jogou-lhe a mão ao sexo. Apalpou por cima das calças verdes até sentir o volume aumentar. Apressada, talvez para evitar pensar no que estava a fazer, desapertou-lhe as calças e fê-lo sentar num banco de pedra que ali havia. Enquanto massajava o pénis erecto com uma mão, com a outra tirou as cuecas. Sentou-se no colo do rapaz e, sem mais preparações, cravou nas suas ansiosas entranhas o viril membro. Apertou-lhe as pernas com as suas e começou a cavalgar. Fechou a boca do rapaz com um beijo de boca escancarada para evitar que os seus gemidos soassem mais alto que o maravilhoso canto dos pássaros que, naquele soalheiro dia de Primavera, enchia os ares. Quando se levantou, ainda com a respiração alterada pelo prazer, corria-lhe por uma perna abaixo um fio de esperma. O rapaz ficou sentado, com o pénis flácido pousado no verde das calças de soldado, e resfolegava como um cavalo jovem e ainda pouco habituado à corrida. Maria limpou o sexo e depois a perna com as cuecas e foi embora. O rapaz chamou-a, perguntou-lhe como se chamava e se podia acompanhá-la um pouco, mas ela nem sequer olhou para trás. Nunca mais o viu.

sábado, 13 de março de 2010

Depois da missa de Domingo

Diante do olhar atónito de Tomé, o senhor padre fez um manguito na direcção das beatas acabadas de sair da sua missa dominical e exclamou em voz alta: "Que se fodam todas, velhas de merda!"

terça-feira, 9 de março de 2010

Sexo e morte

Segundo Oscar Wilde, o verdadeiro intelectual só pensa em duas coisas: na morte e em sexo. Tanathos e Eros.

O prazer das ideias

Quando o rapaz desapertou os botões das calças, Sebastião não se fez rogado e jogou a mão na direcção do volume que magnetizava os seus olhos. Apalpou primeiro por cima das cuecas, mas depois - empurrado por uma urgência nascida dentro das suas próprias cuecas - enfiou a mão lá dentro. Que mata! O contacto com os abundantes e ásperos pentelhos do rapaz electrificou Sebastião. O rapaz colaborou baixando as cuecas. Os dedos de Sebastião, trémulos mas decididos, tocaram no pénis erecto. Era definitivamente maior que o seu. 20 centímetros? Apertou-o com força e começou a punhetear. Enquanto fazia todos esses movimentos continuou a esfregar-se no traseiro do rapaz.
- Deixa-me virar. Também te quero tocar.
A voz saiu rouca e estranha, diferente da voz adolescente que se ouvira ainda há pouco. Mas Sebastião pouca atenção prestou a esses detalhes. Afastou-se também um pouco e desapertou as suas calças. A mão do rapaz avançou. Ficaram lado a lado, cada um deles com uma mão no sexo do outro, mas sem se olharem nem trocarem quaisquer palavras. Espremiam e massajavam com igual excitação - inábil mas impetuosa, descoordenada mas ávida.
O prazer que a mão do rapaz dava a Sebastião era muito aumentado pelo facto de sentir o pénis dele na sua própria mão e pela concomitante e deliciosa ideia de se estarem a punhetear um ao outro. A ideia, a representação mental do que estava a fazer, multiplicava o prazer físico.
- Vamos experimentar uma coisa.
- O quê?
Sebastião pôs-se em frente do rapaz e aproximou o seu pénis do dele. Uniu-os com as mãos e começou a mover-se para trás e para frente. Retirou uma mão para dar lugar à suada mão esquerda do rapaz. Enquanto tentavam coordenar o atrapalhado vai e vem (queriam que os pénis deslizassem um sobre o outro e ao mesmo tempo se mantivessem firmemente agarrados, o que não era fácil de conciliar devido à falta de um creme e, principalmente, à falta de experiência de ambos), cada um deles usou a mão livre para tocar no corpo do outro. No peito, nos braços, no pescoço e, de modo tímido e fugidio, nas nádegas. Apesar do desconcerto dos movimentos, Sebastião sentia um prazer como nunca tinha sentido em toda a sua vida. A respiração de ambos tornou-se mais intensa e não conseguiram conter alguns gemidos, que nenhum turista ouviu pois o castelo àquela hora estava vazio.
Quando o orgasmo chegou o espírito de Sebastião foi invadido pela ideia de chupar o sexo ao rapaz. “Vou fazer-lhe um broche! Vou engolir-lhe o caralho até aos colhões!” Quase tão bom como o prazer que sentiu enquanto ejaculava, foi sentir o esperma morno do rapaz saltar para a sua pele e escorrer gota a gota pelo pénis e pelos pentelhos abaixo, caindo nas lajes centenárias daquele castelo nunca vencido. Sebastião não sabia explicar porquê, mas a ideia de, pela primeira vez na sua vida, ter relações sexuais com outro homem num lugar tão antigo e venerável como aquele contribuía um pouco para o deleite e carácter maravilhoso da experiência. O rapaz também estava encharcado. Ficaram um diante do outro a arfar satisfeitos. Estavam tão felizes que nos seus rostos transparecia menos vergonha e medo do que na realidade sentiam.

Dê um título à imagem - 3

Imagem encontrada aqui.

(O melhor título da segunda edição do “Dê um título à imagem” foi, na minha opinião, a sugestão do leitor anónimo que disse: "Olha para esta pêssega e diz-me se gostas...")

domingo, 7 de março de 2010

Pureza

- Estás apaixonada por mim e queres ir para a cama comigo… Foi isso que disseste?
- … sim
- Se tivesses dito apenas que querias ir para a cama comigo perguntar-te-ia se preferias ir só comigo ou comigo e com o meu marido. Mas, se estás apaixonada por mim, calculo que me queiras só a mim!
- Porra!
- Estava a meter-me contigo. Eu sei que só gostas de gajas. Percebi que és fufa assim que te vi… e uma fufa pura e com princípios, não é?
- … sim
- Bem, que tal hoje ao fim da tarde? E na tua casa ou na minha? Ou preferes um Hotel? Como é a primeira vez se calhar não é boa ideia ser na casa de banho ou no carro… Senão até podíamos ir agora já!
- …

sábado, 6 de março de 2010

Help me, if you can!

- Bom dia Sofia! Estive a observar-te, ali do meu cantinho, e pareceu-me que estás tensa e preocupada com alguma coisa... Qual é o problema? Será que posso fazer alguma coisa por ti e ajudar-te?
- Bem… Eu não lhe chamaria problema. Mas é verdade que preciso de ajuda e, vê lá tu, é ainda mais verdade que só tu me podes ajudar. Only you...
- A sério? Como? Diz, diz… Faço já o que for preciso.
- Querida Marta: estou apaixonada por ti e quero ir para a cama contigo…
- O quê?!

quinta-feira, 4 de março de 2010

De mão dada

- Sim, também gostei muito. É um grande filme! E agora... Casa, banho, cama e duas horas de sexo?
- Vamos primeiro dar um passeio. A noite está bonita e amena... Em vez de duas horas a foder ficaremos só uma, mas... Apetece-me andar de mão dada contigo!
- ...
- Esse beijinho de surpresa tornou a noite ainda mais bonita. Tenho a sensação que agora as estrelas estão mais brilhantes!
- Anda, vamos por ali. Daquele lado vê-se melhor o rio. Queres um gelado?

terça-feira, 2 de março de 2010

Conselhos para meninas

"O mais bonito presente que uma menina pode dar é uma virgindade. Como de frente só pode ser dada uma vez, dai cem vezes a de trás e assim fareis cem cortesias.
Deve dizer-se sempre a verdade; porém, quando vossa mãe se encontra com as visitas no salão, vos chama e vos pergunta o que fazíeis, não deveis responder: 'Estava a masturbar-me, mamã', mesmo que isso seja rigorosamente verdade.
No hotel, não toqueis a campainha às onze da noite para pedir ao criado uma banana. Pedi, a essa hora da noite, uma vela.
No teatro, não ponhais a mão nas calças do vosso vizinho de carteira, para ver se o bailado lhe dá tesão.
Quando um cavalheiro, por detrás de um móvel, na vossa mão se vem, é melhor chupardes os dedos do que pedirdes uma toalha.
Pôr mel entre as pernas para se fazer lamber por um cãozinho é, em rigor, permitido; mas não é preciso fazer o mesmo ao cão.
Se se tratar de um cavalheiro que nunca antes haveis sugado, não devereis entregar-vos a sábias lambidelas ao longo da pila e por detrás dos colhões. Ele ficaria mal impressionado com o vosso passado."

Pierre Louÿs, Manual de Civilidade para Meninas, tradução de Júlio Henriques, Fenda Edições, Lisboa, 1998.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Orgia

«Dolmancé: Vamos, cavaleiro, estás pronto?...
O Cavaleiro: Apalpa, e diz o que pensas.
Dolmancé: Vinde, vou casar-vos… vou cooperar o melhor possível neste divino incesto. (Introduz o caralho do cavaleiro na cona da irmã, que já estava a ser enrabada pelo próprio Dolmancé, que por sua vez estava a ser enrabado por Augustin.)
Mme de Saint-Ange: Ah! Meus amigos, eis-me então fodida dos dois lados… Raios! Que divino prazer!... Não, não há igual no mundo…! Ah! Porra! Como lamento a mulher que não o provou!... Sacode-me, Dolmancé, sacode-me… força-me pela violência dos teus movimentos a precipitar-me sobre o gládio do meu irmão, e tu, Eugénie, contempla-me; vem ver-me no vício; vem aprender, a exemplo meu, a experimentá-lo com ardor, a saboreá-lo com delícias… Vês, meu amor, vês tudo o que faço ao mesmo tempo: escândalo, sedução, mau exemplo, incesto, adultério, sodomia!... Ó Lúcifer! único deus da minha alma, inspira-me algo mais, oferece ao meu coração novos desvarios, e verás como mergulharei neles! Ah! Aproxima-te Eugénie, apalpa-me as mamas… beija-me com essa boca doce! (A rapariga aproxima-se e aperta os mamilos de Mme de Saint-Ange enquanto enfia a língua na sua boca.)»

Sade, "A Filosofia na Alcova".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dê um título à imagem - 2



A senhora é a actriz Heather Graham, no filme “Boogie Nights” (chamado “Jogos de Prazer” de Portugal e “Prazer sem limites” no Brasil) de Paul Thomas Anderson. O filme conta a história (diz-se que inspirada na vida de John “33 centímetros” Holmes) de um rapaz cuja grande pila lhe permite passar de lavador de pratos a estrela de filmes pornográficos.

O melhor título da primeira edição do “Dê um título à imagem” foi, na minha opinião, a sugestão de um leitor anónimo que assinou Zézé Camarinha: “A cavalgada da Valquíria”.

A imagem foi retirada do blogue GoodShit. Se clicar aqui poderá ver o que, por ignorância informática, não conseguir pôr aqui  n' A voz de Eros:  a imagem com movimento, ou seja, a bela senhora a levantar o vestido.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Elogio do pénis

Uma amiga de ambos separara-se do marido e fora viver com uma mulher. Descobrira aos 42 anos que era lésbica.
Conversaram longamente sobre o caso enquanto almoçavam. Quando já estavam à espera da conta, ela colocou a mão por debaixo da mesa e tocou na coxa do marido e depois entre as suas pernas. Protegida pela sombra do seu sorriso descontraído, acariciou-lhe o volume do pénis e dos testículos até sentir a erecção crescer. Depois apertou e massajou devagarinho para cima e para baixo. Teve a sensação de que os movimentos que aplicava ao sexo do marido tinham exactamente o mesmo ritmo que o bater do seu coração, como se fosse uma música cantarolada pelos dois corpos. Sentiu essa harmonia sob a forma de um ardor quente e húmido na vagina ainda antes do cérebro formar os pensamentos que uma hora mais tarde, depois de fazerem amor no carro, tentou explicar ao marido. Adorava aquele pedaço de carne! Gostava de senti-lo crescer na mão ou na boca, gostava de senti-lo atravessar as carnes molhadas da vagina, gostava de senti-lo progredir com dificuldade na deliciosa estreiteza do ânus… Gostava tanto do “Zé Miguel” (“nome de guerra” dado pelo marido ao seu membro) que, nos momentos de maior prazer, por vezes era assaltada pela fantasia ilógica e contraditória de o morder e de o comer ou de o absorver e fazer desaparecer para sempre nas profundezas dos seus buracos, como um soldado desaparecido em combate.
Retirou a mão quando viu o empregado de mesa se aproximar e disse: “Não há hipótese nenhuma de eu te trocar por uma mulher, querido!”

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O mergulho

Quando Sofia fez 22 anos quatro amigas lésbicas da Universidade ofereceram-lhe como presente uma orgia, que começou com quatro línguas e dezenas de dedos a lamber e a apalpar Sofia em todas os orifícios e demais zonas sensíveis. Só após três orgasmos consecutivos de Sofia é que a deixaram retribuir e começaram também a acariciar-se umas às outras. O festim durou horas, pois quando as línguas e os dedos se cansaram foram buscar dildos e outros brinquedos sexuais. Para alegria das amigas, Sofia considerou que foi o melhor presente de anos que jamais recebera. E acrescentou para gáudio geral: “Mas, minhas queridas, o mais importante é que foi a melhor foda da minha vida”.
Actualmente, dez anos depois do feliz acontecimento, Sofia continua a considerar que esse foi o melhor presente de aniversário que já recebeu, mas já não acha que tenha sido a sua melhor experiência sexual. Esse título é agora detido por uma simples palmada no rabo que Marta lhe deu ao passar por ela no escritório. Sofia estava de rabo arrebitado tentando perceber qual dos dossiers da prateleira de baixo continha os documentos que precisava. Ao dar-lhe a palmada, Marta disse-lhe num tom irónico e amigável mas estranhamente tenso: “Os nossos queridos colegas estão todos a olhar para o teu cuzinho. Mas quem pode recriminá-los?”
Horas passadas depois do sucedido, essas palavras continuavam a soar nos ouvidos de Sofia, que continuava também a sentir a mão de Marta tocando na sua nádega esquerda. O lugar do toque ardia-lhe de prazer e ela transpirava de inquieta e deliciosa excitação. Sofia não trocaria essas sensações por nenhuma das memoráveis experiências sexuais que já tivera desde que, aos 14 anos, iniciara a sua vida sexual com uma prima. E decidiu: “Amanhã vou atirar-me a ela! Que se lixe o marido dela! E se interpretei mal o que ela fez… que se foda! Não quero saber, amanhã mergulho de cabeça!”

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A arte do Cunnilingus

“O Cunnilingus é um trabalho escuro e solitário como guardar cabras. Mas alguém tem de fazê-lo.”

Li esta afirmação há muitos anos atrás numa crónica de Clara Ferreira Alves no jornal Expresso. O autor que ela citava é um escritor norte-americano cujo nome esqueci. Talvez John Updike, talvez Saul Bellow, talvez outro. Se alguma leitora ou algum leitor souber agradeço que diga.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dê um título à imagem

Leitoras e leitores, puxem pela imaginação e dêem um título à imagem na caixa de comentários. Tentarei que esta rubrica seja semanal.


Imagem encontrada aqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O cliente tem sempre razão


Estava a comparar o tamanho e o feitio das mamas das empregadas da loja quando a esposa o chamou ao provador de roupa. Queria que a ajudasse a apertar o vestido que estava a experimentar. Pegou desembaraçadamente no fecho do vestido, mas em vez de o puxar para cima puxou-o completamente para baixo e acariciou-lhe as costas e depois os seios. Ela protestou baixinho. O marido respondeu que não estava ninguém nos outros provadores e que as empregas se encontravam todas ao fundo da loja a arrumar roupas. Com movimentos rápidos e precisos baixou o vestido até à cintura e desapertou o soutien e, assim que o terreno ficou livre de obstáculos, apertou -lhe os mamilos com a ponta dos dedos. Ela deixou de resistir e, enquanto se entregava às mãos dele, enfiou a mão esquerda nas cuecas, procurando dividir os dedos entre o clítoris e o poço da vagina.

- Sim, sim! Ordenha-me querido!

Com a mão direita desapertou-lhe rapidamente a braguilha e, embora ele parecesse conhecer bem o caminho, guiou o pénis exactamente até à entrada do seu sexo. Apesar da posição pouco favorável, a progressão foi fácil e expedita. Bastou ela empinar um pouco o rabo para os vinte e cinco centímetros serem completamente engolidos. Durante todo esse tempo, os seus mamilos nunca deixaram de ser manuseados pelos dedos sábios do esposo e a sua mão esquerda não deixou o clítoris sozinho nem por um segundo.

Embora tenham ambos tentado conter os gemidos, é pouco provável que as empregadas não tenham ouvido nada. Principalmente quando - com poucos segundos de intervalo - os orgasmos chegaram - repletos de movimentos bruscos, gemidos reprimidos e respirações entrecortadas. Seja como for, não disseram nada nem se aproximaram. Tal como não comentaram a nódoa húmida desenhada no vestido, quando o dobraram e embrulharam. A senhora e o seu importante marido eram bons clientes e, como é sabido, o cliente tem sempre razão.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A força da gravidade

O carro travou violentamente e parou a 10 centímetros de Tomé. Este tinha atravessado fora da passadeira e imobilizara-se antes de chegar ao passeio. E ali permaneceu, estático como uma estátua, a observar uma mulher que se debruçara sobre a fonte que havia no jardim para apanhar um brinquedo que o filho para lá atirara. Era um puto loiro e reguila, com cerca de 4 anos, que em bicos dos pés espreitava para a água. Repetia “cuidado mamã, não caias”, fingindo não ouvir as invectivas da mãe: “é a terceira vez que fazes isto”, estava ela a dizer quando o carro travou.
Mas Tomé mal reparou nesses pormenores e o elemento de ternura da cena escapou-lhe completamente, pois a sua atenção estava presa desde o primeiro olhar no traseiro empinado da mulher. Era alta e tinha coxas volumosas mas proporcionadas, encimadas por um rabo arredondado e cheio, que a postura inclinada tornava ainda mais proeminente. As duas nádegas desciam para um vale profundo e estreito onde as calças de ganga, e por baixo delas as cuecas, se enfiavam, como se ali a força da gravidade fosse maior do que no resto planeta. Aquela imagem da roupa colada à pele e enfiada no rego do rabo fez o pénis de Tomé crescer e enrijecer e a espectacular travagem a 10 centímetros das suas pernas não foi suficiente para perturbar uma erecção tão bem justificada.
Tomé olhou para o condutor, indiferente aos seus gritos e gestos de ameaça. Saltou para o passeio e deu dois passos em direcção à mulher, que tirara o brinquedo da água e se voltava. Os seios não desmereciam o traseiro, mas Tomé mal olhou para eles. A decepção abateu-se sobre ele com mais força do que o carro o teria feito e quase o fez cair. A mulher tinha um rosto indescritivelmente feio. Aquela terna mãe era dona de um corpo de encher o olho, mas era feia como a própria fealdade. “Um rosto belo é fundamental”, pensou o desolado Tomé, enquanto se afastava com o pénis já murcho e triste.