PISTAS PARA O TESOURO

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O cu, o cu...

- O que queres que te faça? Não direi não a nada, exceto comer merda...
- Merda? Que horror! Mas... será que me podias foder o cu?
- O cu? Com a língua ou com o dedo?
- Primeiro com a língua, mas depois quando me estiveres a chupar o caralho enfia o dedo, ok?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Há heteressexuais que gostam de levar no cu!

O que distingue um homossexual de um heterossexual não é o facto de gostar ou não de levar no cu. Há homossexuais que não gostam de ser enrabados (gostam apenas de enrabar) e há heterossexuais que adoram ser enrabados, por mulheres e mesmo por homens.

Considerações semelhantes poderiam ser feitas acerca do broche. Não sejamos, portanto, simplistas.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pedido especial

- Rebenta-me com o cu, querida! - pediu ele.
- Ok, amor, vou enrabar-te à bruta. Aguenta aí!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A tesão do senhor engenheiro

- O que pensa da crise económica, senhor engenheiro? Parece uma infecção, uma virose das piores, não é?
- Quero lá saber disso. Só me apetece é cobrir! Penso em gajas de manhã à noite.
- Mas, o senhor é ministro e …
- Por uma boa cona mandava toda a gente para o desemprego e para a puta que os pariu!
- Mas e a miséria? Já começa a haver fome…
- Já disse que não quero saber. Quero é gastar a minha tesão e foder, foder, fod…
- Ok, mas veja lá se não se não acaba também fodido, seu…
Tomé ia acrescentar “cabrão egoísta e egocêntrico”, mas limitou-se a virar-lhe as costas com desprezo.

sábado, 2 de abril de 2011

Agridoce

- Sonhei que, ao fazer-te um minete, a tua cona prendia a minha língua e a mordia, como se tivesse dentes.
- Quem me dera!
- … Não acordei assustado, como sucede depois dos pesadelos. Mas também não me sentia contente.
- Humm…
- Era uma sensação estranha, sabes?
- Estranha?
- … Quer dizer, ambivalente: boa e má ao mesmo tempo, doce e amarga, quente e fri…
- Oh, querido! Não te deixes enganar pela cona e pelo minete! O teu sonho não tem nada a ver com sexo. O sexo é inteiramente bom. Essa ambivalência, essa mistura agridoce, é nada mais nada menos do que uma descrição da vida.
- Da vida?
- Da Vida!

domingo, 27 de março de 2011

Se gostas de mim, então engole

- Desculpa não ter engolido.
- …
- Desculpa.
- Se gostasses de mim a sério engolias!
- Não digas isso! Tu sabes que eu te adoro.
- Naquilo que eu te faço não há limites. Não há nada no teu corpo que me meta nojo. Isso é que é amor!
- Dá-me tempo. Deixa-me aprender. No princípio, eu também não gostava de levar no cu e agora…
- …
- Dá-me tempo… E não duvides do meu amor!

Tomé deixou de conseguir ouvir mas reparou que ele pegou na mão dela.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O apelo de uma japonesa "radioactiva"


O Japão precisa de ajuda. Não nos precipitemos a evitar e a boicotar os produtos japoneses. Só o devemos fazer se houver confirmação de que houve contaminação radioactiva, o que até à data não sucedeu. Se deixarmos de consumir produtos japoneses sem justificação estaremos a aumentar os problemas do Japão.
Acresce que nem toda a radioactividade é má!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O que te excita numa mulher?

- O que te excita numa mulher, Sofia?
- Hum…
- A mim é o facto de ela ser parecida comigo… É como se me estivesse a ver ao espelho. Por isso, eu nunca seria capaz de desejar um homem, percebes?
- …
- Quando desejo uma mulher é como se estivesse a entrar no meu próprio desejo, como se…
- Sim?
- … Como se o meu corpo fosse suficiente para alcançar todo o prazer possível, como se o meu corpo fosse um todo completo e eu me pudesse foder a mim mesma!
- Quando uma pessoa ao explicar uma coisa qualquer diz tantas vezes “como se” só pode tratar-se de uma grande treta!
- Ai! És sempre tão crítica… Mas diz lá, o que te excita numa mulher?
Sofia olhou para o corpo nu da universitária pedante que tinha acabado de lhe lamber o sexo com devoção, mas a memória sobrepôs-se à visão e o sorriso sarcástico de Marta invadiu o quarto e obscureceu momentaneamente a nudez da outra. Sofia abanou a cabeça, jogou a mão na direcção dos seios da rapariga e respondeu-lhe com a sua habitual franqueza:
- Bem… As mamas, o cu, a cona… E os olhos, claro!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A coisa mais porca

- Qual é a coisa mais porca que consegues imaginar?
- Em termos sexuais?
- Sim.
- Sei qual é a coisa mais porca que já imaginei. Mas tenho esperança que essa não seja a mais porca de todas...
- Gostarias de conseguir imaginar outras ainda mais porcas?
- Imaginar e fazer...
- ...
- Gosto de não conhecer os meus limites. Gosto de acreditar que posso sempre chegar mais longe no futuro, por muito longe que tenha chegado no passado.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A branda crica


Poemas de Bocage e Alexandre O'Neill ditos por Miguel Guilherme. A expressão utilizada no título é retirada do poema de Bocage, que é altamente erótico - e muito divertido, tal como o poema de O'Neill.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Poderá haver erotismo na morte?


Em vez do amor - habitualmente considerado mórbido - do rei Dom Pedro por Inês de Castro, eis o amor de uma qualquer Inês por qualquer um anónimo e falecido Pedro. Também mórbido? 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Não quero um beijo terno

- Gostei do beijo, mas não era um beijo terno que eu agora queria.
- Hum… Queres um beijo molhado?
- Molhado e profundo! Um pouco rude e até bruto, mas sem ser violento… Quero que me fodas a boca com a língua, percebes?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

They fuck you up, your mum and dad

Foda-se, este poema não é nada erótico!

They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another’s throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don’t have any kids yourself.

Philip Larkin, "This Be The Verse"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O melhor refúgio

Neste vão e flutuante mundo
O que resta a um homem?
Pode dedicar-se à oração
Mas se isso porventura não resulta
O melhor é refugiar-se entre os seios duma mulher
Acariciar as suas coxas quentes
E possuir o que entre elas se oculta

Os cinquentas poemas do amor furtivo e outros poemas eróticos da Índia antiga, versões de Jorge de Sousa Braga, Assírio e Alvim, Lisboa, 2004, página 93.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011

A maioria das pessoas espera o ano de 2011 ainda com menos confiança do que eu, quando enfio a pila na minha mulher. – Pensou José, depois de ouvir as notícias na televisão no último dia de 2010.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O alpinista impotente

José olhou para a vizinha, cujo olhar interpretava sempre como indiferente, embora por vezes ela lhe sorrisse. Os seios generosos, o traseiro opulento e as coxas poderosas intimidaram-no e fizeram-no sentir-se pequenino. Imaginou-a nua e depois pensou no seu inseguro e incompetente pénis e sentiu-se a encolher, a secar, a mirrar. Não, não, não, ele nunca conseguiria satisfazer uma mulher daquelas. Nem aquela nem nenhuma outra, mesmo que fosse menos sensual e pujante. Diante de uma mulher, ele era ainda mais incapaz do que uma criança que tentasse escalar uma montanha escarpada e íngreme.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Espírito de Natal

- Porque é que estás vestida desse modo? Pareces a Virgem Maria!
- …
- E que fato de Pai Natal é aquele?
- Aluguei-o esta manhã. Veste-o.
- Para quê?
- É uma fantasia natalícia que me invadiu a cabeça. Uma coisa simples, está descansado!
- Hum!?
-Quero que entres pela janela vestido de Pai Natal e me fodas à bruta. Mas à bruta mesmo, como se estivesses a violar a Virgem Maria!
- A mãe de Jesus? A Nossa Senhora?
- Essa mesmo! Fode essa cadela, atravessa-a com o teu Espírito Santo… Quero ficar com a cona a doer!
- Estou a ver que, apesar de estares vestida como ela, ainda não te identificas completamente com ela.
- Quando me estiver a vir é que tornarei uma autêntica Nossa Senhora, a Nossa Senhora das Putas! Maria, mas nunca mais Virgem!
- Isso é o que eu chamo espírito de Natal!

sábado, 18 de dezembro de 2010

A aflição do ciúme

Uma certa vez, um acaso qualquer levou-o a perguntar se ela já tinha visto o filme “Dr. Strangelove”, de Stanley Kubrick. A resposta deixou-o um bocadinho ciumento e até amuado.
- Vi, vi! Na Cinemateca de Lisboa, com o meu primeiro namorado. Porra, agora que penso nisso… Passaram tantos anos! Estou a ficar velha, não é?
- …
- Sabes que depois, nessa noite, depois de beber algumas cervejas no Bairro Alto, sonhei que voava montada em cima da pila dele – que nalgumas partes do sonho era um enorme míssil atómico e noutras era um foguete fininho mas comprido, como aqueles que, na aldeia da minha infância, atiravam na festa em honra de Nossa Senhora dos Aflitos.
- …

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não há cu que aguente a picha dos bancos!

- O que pensas da crise económica, Tomé?
- … Tenho um colega gay… maricas, bicha até à medula… e ele no outro dia disse uma coisa curiosa quando lhe fizeram uma pergunta semelhante…
- Disse que a culpa da crise é dos heterossexuais?
- Não! Foi uma observação realmente profunda, mas metafórica… Ele disse isto: “Gosto de ser enrabado, mas não há cu que aguente a picha dos bancos!”
- Chamas metáfora a isso, Tomé? Isso é literal, literal, literal… Metáforas são as teorias económicas!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Oh su sexo con luna!

Todas las rosas blancas de la luna caían,
por la ventana abierta, en el cuerpo desnudo ...
Mirando aquellas carnes blandas que florecían,
hundido entre mis sueños, yo estaba absorto y mudo.

Oh su sexo con luna! ¡Esencia indefinible
de su sexo con luna! Hervían los blancores
de la carne, y el rostro, perdido en lo invisible
de la penumbra, lánguido, cerraba sus colores.

Era el enervamiento del dolor ... Y cual una
rosa de treinta años, opulenta y desierta,
el cuerpo blanco se elevaba hacia la luna
frío, espectral, azul, como una pompa muerta ...

Juan Ramón Jiménez

Via

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um cu que talvez prove a existência de Deus

Do outro lado da rua apinhava-se uma multidão de mulheres esperando ansiosamente o início dos saldos, mas Tomé e o colega só conseguiam olhar para um único lugar, como se os seus olhos fossem atraídos para lá pela gravidade invencível de um buraco negro.
- Aquele cu é uma obra de arte maravilhosa! Nem o acaso nem a natureza poderiam ter originado aquela simetria ondulante. Só Deus poderia ter imaginado uma tal perfei...
- Que treta! Então e o cancro e o terrorismo, para não falar no cu da minha mulher… Também foi Deus que os criou? É que não são lá muito perfeitos!
- Foi Deus, sim, para podermos comparar e dar valor às coisas boas. O cu daquela gaja talvez prove a existência de Deus.
- Bem… Se provasse não precisavas de dizer “talvez”. Além disso…
- Caralho! Como podes ser ateu?
- Basta olhar à volta. O mundo é uma desgraça, uma merda muito mal feita! Mesmo que fosse necessário existirem algumas coisas más para podermos reconhecer e valorizar as boas, era preciso as más serem tão numerosas? Não bastava o cancro? Porque é que tinha de existir também o reumático e a espinha bífida? Se houve um Criador…olha, era o cabrão de um incompetente, muito pouco omnipotente e nada perfeito!
- …
- Seja como for, mesmo que Ele tenha criado aquela gaja e o seu esplendoroso traseiro não a pode enrabar, devido ao aborrecido facto de ser incorpóreo. Por isso, é preciso que alguém se encarregue dessa missão… Como tu não podes, por causa do pecado original, dos sagrados sacramentos e de toda essa cangalhada religiosa, eu farei o sacrifício. Fica aqui, que eu vou atravessar a rua e meter conversa!

- Calma aí! Eu acredito em Deus, mas não sou beato e não me importo nada com o pecado original. Não podemos ir os dois meter conversa, senão ela foge. Por isso, que tal tirar à sorte qual dos dois vai?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A perfeição do conjunto

Estava a chover muito e Marta chegou ao escritório encharcada, literalmente a pingar água. Quando tirou o casaco os olhos de Sofia foram invadidos pela imagem dos seus seios colados à blusa cor-de-rosa. Os biquinhos espetados insinuavam-se tanto para a frente que, por instantes, Sofia pareceu sentir o seu toque no rosto, apesar de estar a dois metros de Marta.
- Não aguento mais. Vou atirar-me a ela.
Depois de murmurar essas palavras, Sofia ofereceu-se para ajudar Marta. Foi buscar algumas peças de roupa que guardava no cacifo e foi levá-las à sala onde Marta se fora trocar. Tinha tirado a roupa molhada e estava envolta numa toalha a tiritar de frio. Agradeceu as roupas de reserva de Sofia, que eram mais adequadas à estação fria que as suas e aceitou que ela lhe esfregasse o cabelo com uma toalha. Sofia estava destemida e, sem mais preâmbulos, encostou-se ostensivamente ao traseiro da outra enquanto lhe secava o cabelo. Animada pelo facto dela não se ter afastado ou sequer encolhido, acariciou-lhes os seios mal tapados pela toalha de turco barato do escritório. Marta suspirou, senão ainda de prazer pelo menos de satisfação, e Sofia disse-lhe com a voz rouca de cio:
- Há meses que não penso noutra coisa que não seja fazer amor contigo…
- Pode ser Sofia, também me apetece. Mas, aviso-te já que sou mais do género de foder do que de fazer amor…
Como resposta, Sofia, que a continuava a agarrar por trás, esfregou-se com força no seu traseiro e acariciou-lhe os mamilos com veemência. Mas ao fim de poucos segundos teve de a largar, pois Marta foi sacudida por uma série de espirros. A toalha caiu e o seu corpo nu revelou-se a Sofia, demasiado concentrada na penugem triangular entre as pernas para reparar na beleza sensual das outras partes ou na perfeição do conjunto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sê quem és



"It takes courage to grow up and become who you really are." E.E. Cummings

sábado, 13 de novembro de 2010

Fusão

- Enfia tudo, enfia, até ao fundo… Ahh! Racha-me a cona! Fode-me toda! Viola-me, queridooo… Ahh!
- Eu fodo-te toda, menos a alma… Ai! Aiii! Sim, sim, morde-me a boca outra vez!
Pouco depois, enquanto fumavam o cigarro pós-coital, debateram a ideia de Platão segundo a qual os amantes procuram fundir-se e tornar-se um através do amor.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Meter a mão na massa


Texto humorístico de David Marçal, publicado no Inimigo Público. Também no RN.

É humor, mas quem conhece sabe que a realidade portuguesa é ainda mais desconcertante. O que dá mais vontade de chorar do que de rir.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pergunta retórica

Tinham concordado em fazer “coisas muito porcas” naquela noite, mas durante vários minutos limitaram-se a trocar beijos carinhosos e carícias limpas, sem sombra de perversidade. Estavam sentados na cama e tão abraçados que quase não se podiam mexer.
Depois, ele deitou-a e mordeu e lambeu demoradamente o seu sexo. O furor masculino da sua boca  era tanto que parecia querer mergulhar de cabeça na ofegante fenda. A seguir penetrou-a. Ela encaixou o golpe com um gemido à beira do grito e beijou-o com volúpia. Depois de beijar a boca beijou o nariz e o queixo, ainda molhados pelos sucos vaginais. Os beijos transformaram-se em ávidas lambidelas que substituíam, naquele rosto tão amado e familiar, as secreções da sua vagina pela abundante saliva que o desejo lhe deixava na boca.
Habitualmente, ele gostava de lhe chamar nomes e de misturar ternura e agressividade em palavras como “putazinha” e “safada”, mas quando ela o encharcava daquela maneira a sua excitação crescia tanto que os palavrões atingiam os cumes mais elevados da violência verbal. Esta só não deixava de ser erótica devido ao desejo que a empurrava e ao amor e à ternura que eles nunca deixavam sair da sua cama, por muito sujo que fosse o sexo praticado. Por isso, as palavras violentas e insultuosas não a afastavam dele e, porque simbolizavam a posse dele sobre ela, excitavam-na também a ela. De resto, havia muitas ocasiões em que ela também recorria ao vernáculo mais grosseiro da língua portuguesa.
Quando a língua molhada lhe atingiu os olhos para logo descer novamente para as regiões próximas da boca, ele urrou, possuído por uma exaltação selvagem que teria assustado uma mulher que não o conhecesse bem. Chamou-lhe “puta ordinária” e “porca de merda” e, pouco antes dos gemidos conjuntos do orgasmo, fez uma pergunta a que ela não respondeu, talvez por a considerar retórica.
- Estás a lambuzar-me todo porque gostas do sabor da tua cona, não é?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A subtil diferença entre o com e o em

era belo
o rapaz onde pernoitei

al berto (citado de memória)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O órgão preferido

"O cérebro é o meu segundo órgão preferido."
Woody Allen

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Assuntos domésticos

Assim que a viu, Tomé começou a comer com os olhos uma cinquentona bem conservada e de curvas volumosas que falava ao telemóvel encostada a uma parede do restaurante. Aproximou-se, discretamente mas com uma desculpa para falar com ela na ponta da língua. Ouviu-a dar instruções à criada acerca do jantar e da roupa que era preciso arrumar. Tomé julgou que ela ia desligar, mas a mulher ainda acrescentou um pedido, proferido com a naturalidade com que falara dos assuntos domésticos:
- Só mais uma coisa, Maria de Fátima. Tenho trabalho muito nos últimos dias e não consegui dar muita atenção ao seu patrão. Veja se o coitadinho precisa de alguma coisa, se lhe apetece… sei lá, um broche ou mesmo a coisa completa. Desconfio que ele anda carente e uma hora a foder só lhe faria bem! Se ele quiser não se preocupe com a roupa, está bem?
A mulher desligou e olhou para Tomé, que entretanto se aproximara como se lhe fosse falar. Este, contudo, não conseguiu pronunciar palavra e ficou a vê-la afastar-se bamboleando o roliço traseiro. E, ainda antes de reparar na erecção que prosperava no seu baixo-ventre, observou com filosófica resignação:
- Um broche ou mesmo uma foda completa… Não deixam de ser assuntos domésticos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Garanhão apaixonado

Depois de terem feito amor ficaram muito tempo deitados em silêncio, como se ainda estivessem a absorver o caudaloso rio de prazer em que tinham mergulhado. A certa altura ela murmurou "meu garanhão", enquanto lhe acariciava o peito peludo. Ele riu-se e, diante do deliciado sorriso dela, disse:
- O mérito é principalmente teu. Confundo tanto o sexo contigo que se  fosse para a cama com outra mulher teria provavelmente que usar Viagra...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Leva-me tudo que eu tenha, amor

Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.

António Botto (1897-19599

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sonho literal

- Gostei de te ver comer o gelado ontem! Estás definitivamente melhor. Quase, quase curada.
- Até sonhei com ele ontem à noite.
- Isso é sinal que querias comer outro. Queres que vá comprar um?
- Não é preciso. Eu sonhei que estava a comer o gelado, mas a meio do sonho o gelado transformou-se no teu caralho e até ao final do sonho foi o teu caralho que eu lambi e chupei.
- Eh, eh! Isso é melhor que a opinião de mil médicos: estás curada! Esse sonho é tão óbvio que não chega a ter segundo sentido. Para o interpretar não é preciso ser psicanalista.
- Yeh! É mais literal que uma equação matemática: preciso de foder!