A maioria das pessoas espera o ano de 2011 ainda com menos confiança do que eu, quando enfio a pila na minha mulher. – Pensou José, depois de ouvir as notícias na televisão no último dia de 2010.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O alpinista impotente
José olhou para a vizinha, cujo olhar interpretava sempre como indiferente, embora por vezes ela lhe sorrisse. Os seios generosos, o traseiro opulento e as coxas poderosas intimidaram-no e fizeram-no sentir-se pequenino. Imaginou-a nua e depois pensou no seu inseguro e incompetente pénis e sentiu-se a encolher, a secar, a mirrar. Não, não, não, ele nunca conseguiria satisfazer uma mulher daquelas. Nem aquela nem nenhuma outra, mesmo que fosse menos sensual e pujante. Diante de uma mulher, ele era ainda mais incapaz do que uma criança que tentasse escalar uma montanha escarpada e íngreme.
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José
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Espírito de Natal
- Porque é que estás vestida desse modo? Pareces a Virgem Maria!
- …
- E que fato de Pai Natal é aquele?
- Aluguei-o esta manhã. Veste-o.
- Para quê?
- É uma fantasia natalícia que me invadiu a cabeça. Uma coisa simples, está descansado!
- Hum!?
-Quero que entres pela janela vestido de Pai Natal e me fodas à bruta. Mas à bruta mesmo, como se estivesses a violar a Virgem Maria!
- A mãe de Jesus? A Nossa Senhora?
- Essa mesmo! Fode essa cadela, atravessa-a com o teu Espírito Santo… Quero ficar com a cona a doer!
- Estou a ver que, apesar de estares vestida como ela, ainda não te identificas completamente com ela.
- Quando me estiver a vir é que tornarei uma autêntica Nossa Senhora, a Nossa Senhora das Putas! Maria, mas nunca mais Virgem!
- Isso é o que eu chamo espírito de Natal!
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Casal
sábado, 18 de dezembro de 2010
A aflição do ciúme
Uma certa vez, um acaso qualquer levou-o a perguntar se ela já tinha visto o filme “Dr. Strangelove”, de Stanley Kubrick. A resposta deixou-o um bocadinho ciumento e até amuado.
- Vi, vi! Na Cinemateca de Lisboa, com o meu primeiro namorado. Porra, agora que penso nisso… Passaram tantos anos! Estou a ficar velha, não é?
- …
- Sabes que depois, nessa noite, depois de beber algumas cervejas no Bairro Alto, sonhei que voava montada em cima da pila dele – que nalgumas partes do sonho era um enorme míssil atómico e noutras era um foguete fininho mas comprido, como aqueles que, na aldeia da minha infância, atiravam na festa em honra de Nossa Senhora dos Aflitos.
- …
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Casal
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Não há cu que aguente a picha dos bancos!
- O que pensas da crise económica, Tomé?
- … Tenho um colega gay… maricas, bicha até à medula… e ele no outro dia disse uma coisa curiosa quando lhe fizeram uma pergunta semelhante…
- Disse que a culpa da crise é dos heterossexuais?
- Não! Foi uma observação realmente profunda, mas metafórica… Ele disse isto: “Gosto de ser enrabado, mas não há cu que aguente a picha dos bancos!”
- Chamas metáfora a isso, Tomé? Isso é literal, literal, literal… Metáforas são as teorias económicas!
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Tomé
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Oh su sexo con luna!
Todas las rosas blancas de la luna caían,
por la ventana abierta, en el cuerpo desnudo ...
Mirando aquellas carnes blandas que florecían,
hundido entre mis sueños, yo estaba absorto y mudo.
Oh su sexo con luna! ¡Esencia indefinible
de su sexo con luna! Hervían los blancores
de la carne, y el rostro, perdido en lo invisible
de la penumbra, lánguido, cerraba sus colores.
Era el enervamiento del dolor ... Y cual una
rosa de treinta años, opulenta y desierta,
el cuerpo blanco se elevaba hacia la luna
frío, espectral, azul, como una pompa muerta ...
Juan Ramón Jiménez
Via
por la ventana abierta, en el cuerpo desnudo ...
Mirando aquellas carnes blandas que florecían,
hundido entre mis sueños, yo estaba absorto y mudo.
Oh su sexo con luna! ¡Esencia indefinible
de su sexo con luna! Hervían los blancores
de la carne, y el rostro, perdido en lo invisible
de la penumbra, lánguido, cerraba sus colores.
Era el enervamiento del dolor ... Y cual una
rosa de treinta años, opulenta y desierta,
el cuerpo blanco se elevaba hacia la luna
frío, espectral, azul, como una pompa muerta ...
Juan Ramón Jiménez
Via
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Poemas eróticos
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Um cu que talvez prove a existência de Deus
Do outro lado da rua apinhava-se uma multidão de mulheres esperando ansiosamente o início dos saldos, mas Tomé e o colega só conseguiam olhar para um único lugar, como se os seus olhos fossem atraídos para lá pela gravidade invencível de um buraco negro.
- Aquele cu é uma obra de arte maravilhosa! Nem o acaso nem a natureza poderiam ter originado aquela simetria ondulante. Só Deus poderia ter imaginado uma tal perfei...
- Que treta! Então e o cancro e o terrorismo, para não falar no cu da minha mulher… Também foi Deus que os criou? É que não são lá muito perfeitos!
- Foi Deus, sim, para podermos comparar e dar valor às coisas boas. O cu daquela gaja talvez prove a existência de Deus.
- Bem… Se provasse não precisavas de dizer “talvez”. Além disso…
- Caralho! Como podes ser ateu?
- Basta olhar à volta. O mundo é uma desgraça, uma merda muito mal feita! Mesmo que fosse necessário existirem algumas coisas más para podermos reconhecer e valorizar as boas, era preciso as más serem tão numerosas? Não bastava o cancro? Porque é que tinha de existir também o reumático e a espinha bífida? Se houve um Criador…olha, era o cabrão de um incompetente, muito pouco omnipotente e nada perfeito!
- …
- Seja como for, mesmo que Ele tenha criado aquela gaja e o seu esplendoroso traseiro não a pode enrabar, devido ao aborrecido facto de ser incorpóreo. Por isso, é preciso que alguém se encarregue dessa missão… Como tu não podes, por causa do pecado original, dos sagrados sacramentos e de toda essa cangalhada religiosa, eu farei o sacrifício. Fica aqui, que eu vou atravessar a rua e meter conversa!
- Calma aí! Eu acredito em Deus, mas não sou beato e não me importo nada com o pecado original. Não podemos ir os dois meter conversa, senão ela foge. Por isso, que tal tirar à sorte qual dos dois vai?
- Calma aí! Eu acredito em Deus, mas não sou beato e não me importo nada com o pecado original. Não podemos ir os dois meter conversa, senão ela foge. Por isso, que tal tirar à sorte qual dos dois vai?
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Tomé
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
A perfeição do conjunto
Estava a chover muito e Marta chegou ao escritório encharcada, literalmente a pingar água. Quando tirou o casaco os olhos de Sofia foram invadidos pela imagem dos seus seios colados à blusa cor-de-rosa. Os biquinhos espetados insinuavam-se tanto para a frente que, por instantes, Sofia pareceu sentir o seu toque no rosto, apesar de estar a dois metros de Marta.
- Não aguento mais. Vou atirar-me a ela.
Depois de murmurar essas palavras, Sofia ofereceu-se para ajudar Marta. Foi buscar algumas peças de roupa que guardava no cacifo e foi levá-las à sala onde Marta se fora trocar. Tinha tirado a roupa molhada e estava envolta numa toalha a tiritar de frio. Agradeceu as roupas de reserva de Sofia, que eram mais adequadas à estação fria que as suas e aceitou que ela lhe esfregasse o cabelo com uma toalha. Sofia estava destemida e, sem mais preâmbulos, encostou-se ostensivamente ao traseiro da outra enquanto lhe secava o cabelo. Animada pelo facto dela não se ter afastado ou sequer encolhido, acariciou-lhes os seios mal tapados pela toalha de turco barato do escritório. Marta suspirou, senão ainda de prazer pelo menos de satisfação, e Sofia disse-lhe com a voz rouca de cio:
- Há meses que não penso noutra coisa que não seja fazer amor contigo…
- Pode ser Sofia, também me apetece. Mas, aviso-te já que sou mais do género de foder do que de fazer amor…
Como resposta, Sofia, que a continuava a agarrar por trás, esfregou-se com força no seu traseiro e acariciou-lhe os mamilos com veemência. Mas ao fim de poucos segundos teve de a largar, pois Marta foi sacudida por uma série de espirros. A toalha caiu e o seu corpo nu revelou-se a Sofia, demasiado concentrada na penugem triangular entre as pernas para reparar na beleza sensual das outras partes ou na perfeição do conjunto.
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Sofia
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Fusão
- Enfia tudo, enfia, até ao fundo… Ahh! Racha-me a cona! Fode-me toda! Viola-me, queridooo… Ahh!
- Eu fodo-te toda, menos a alma… Ai! Aiii! Sim, sim, morde-me a boca outra vez!
Pouco depois, enquanto fumavam o cigarro pós-coital, debateram a ideia de Platão segundo a qual os amantes procuram fundir-se e tornar-se um através do amor.
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Casal
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Meter a mão na massa
Texto humorístico de David Marçal, publicado no Inimigo Público. Também no RN.
É humor, mas quem conhece sabe que a realidade portuguesa é ainda mais desconcertante. O que dá mais vontade de chorar do que de rir.
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Anedotas eróticas
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Pergunta retórica
Tinham concordado em fazer “coisas muito porcas” naquela noite, mas durante vários minutos limitaram-se a trocar beijos carinhosos e carícias limpas, sem sombra de perversidade. Estavam sentados na cama e tão abraçados que quase não se podiam mexer.
Depois, ele deitou-a e mordeu e lambeu demoradamente o seu sexo. O furor masculino da sua boca era tanto que parecia querer mergulhar de cabeça na ofegante fenda. A seguir penetrou-a. Ela encaixou o golpe com um gemido à beira do grito e beijou-o com volúpia. Depois de beijar a boca beijou o nariz e o queixo, ainda molhados pelos sucos vaginais. Os beijos transformaram-se em ávidas lambidelas que substituíam, naquele rosto tão amado e familiar, as secreções da sua vagina pela abundante saliva que o desejo lhe deixava na boca.
Habitualmente, ele gostava de lhe chamar nomes e de misturar ternura e agressividade em palavras como “putazinha” e “safada”, mas quando ela o encharcava daquela maneira a sua excitação crescia tanto que os palavrões atingiam os cumes mais elevados da violência verbal. Esta só não deixava de ser erótica devido ao desejo que a empurrava e ao amor e à ternura que eles nunca deixavam sair da sua cama, por muito sujo que fosse o sexo praticado. Por isso, as palavras violentas e insultuosas não a afastavam dele e, porque simbolizavam a posse dele sobre ela, excitavam-na também a ela. De resto, havia muitas ocasiões em que ela também recorria ao vernáculo mais grosseiro da língua portuguesa.
Quando a língua molhada lhe atingiu os olhos para logo descer novamente para as regiões próximas da boca, ele urrou, possuído por uma exaltação selvagem que teria assustado uma mulher que não o conhecesse bem. Chamou-lhe “puta ordinária” e “porca de merda” e, pouco antes dos gemidos conjuntos do orgasmo, fez uma pergunta a que ela não respondeu, talvez por a considerar retórica.
- Estás a lambuzar-me todo porque gostas do sabor da tua cona, não é?
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Casal
terça-feira, 2 de novembro de 2010
A subtil diferença entre o com e o em
era belo
o rapaz onde pernoitei
al berto (citado de memória)
o rapaz onde pernoitei
al berto (citado de memória)
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Poemas eróticos
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
O órgão preferido
"O cérebro é o meu segundo órgão preferido."
Woody Allen
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Citação erótica
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Assuntos domésticos
Assim que a viu, Tomé começou a comer com os olhos uma cinquentona bem conservada e de curvas volumosas que falava ao telemóvel encostada a uma parede do restaurante. Aproximou-se, discretamente mas com uma desculpa para falar com ela na ponta da língua. Ouviu-a dar instruções à criada acerca do jantar e da roupa que era preciso arrumar. Tomé julgou que ela ia desligar, mas a mulher ainda acrescentou um pedido, proferido com a naturalidade com que falara dos assuntos domésticos:
- Só mais uma coisa, Maria de Fátima. Tenho trabalho muito nos últimos dias e não consegui dar muita atenção ao seu patrão. Veja se o coitadinho precisa de alguma coisa, se lhe apetece… sei lá, um broche ou mesmo a coisa completa. Desconfio que ele anda carente e uma hora a foder só lhe faria bem! Se ele quiser não se preocupe com a roupa, está bem?
A mulher desligou e olhou para Tomé, que entretanto se aproximara como se lhe fosse falar. Este, contudo, não conseguiu pronunciar palavra e ficou a vê-la afastar-se bamboleando o roliço traseiro. E, ainda antes de reparar na erecção que prosperava no seu baixo-ventre, observou com filosófica resignação:
- Um broche ou mesmo uma foda completa… Não deixam de ser assuntos domésticos!
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Tomé
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Garanhão apaixonado
Depois de terem feito amor ficaram muito tempo deitados em silêncio, como se ainda estivessem a absorver o caudaloso rio de prazer em que tinham mergulhado. A certa altura ela murmurou "meu garanhão", enquanto lhe acariciava o peito peludo. Ele riu-se e, diante do deliciado sorriso dela, disse:
- O mérito é principalmente teu. Confundo tanto o sexo contigo que se fosse para a cama com outra mulher teria provavelmente que usar Viagra...
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Casal
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Leva-me tudo que eu tenha, amor
Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António Botto (1897-19599
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António Botto (1897-19599
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Poemas eróticos
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sonho literal
- Gostei de te ver comer o gelado ontem! Estás definitivamente melhor. Quase, quase curada.
- Até sonhei com ele ontem à noite.
- Isso é sinal que querias comer outro. Queres que vá comprar um?
- Não é preciso. Eu sonhei que estava a comer o gelado, mas a meio do sonho o gelado transformou-se no teu caralho e até ao final do sonho foi o teu caralho que eu lambi e chupei.
- Eh, eh! Isso é melhor que a opinião de mil médicos: estás curada! Esse sonho é tão óbvio que não chega a ter segundo sentido. Para o interpretar não é preciso ser psicanalista.
- Yeh! É mais literal que uma equação matemática: preciso de foder!
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Casal
domingo, 19 de setembro de 2010
Desejo impotente
Tomé ia de vez em quando visitar a sua velha tia Irene ao Lar de Idosos onde esta vivia. Um dia descobriu que este tinha um novo hóspede: um velhote de cadeira de rodas cuja cara era vagamente familiar. Tomé reconheceu-o ao fim de alguns minutos: era um gay conhecido em toda a cidade, que tinha desaparecido de circulação há meses atrás devido a uma misteriosa doença neurológica de que ninguém sabia dizer o nome. Durante décadas fora um distinto cavalheiro cujas preferências sexuais despertavam silenciosos olhares reprovadores, mas que, graças à sua discrição e finura de maneiras, nunca causara nenhum escândalo. Mas agora algo se desarranjara no seu cérebro e falava pelos cotovelos, tendo o sexo como tema único. Fazia a sua cadeira deslizar até ao pé dos outros idosos e das suas visitas e, sem nenhum aviso, começava a descrever os seus encontros sexuais com marinheiros e operários. Contaram a Tomé que a frase “havia um preto muito alto com um caralho tão grande que… não havia cu que aguentasse” já tinha provocado desmaios em duas senhoras especialmente afectadas (e, dizia-se, carentes) que lá tinham ido em visita social. O velhote nunca se calava, como se tivesse uma fábrica de palavras e recordações sexuais dentro da cabeça.
- Quem nunca experimentou levar no cu não devia criticar! É tão, tão bom! Eu gostava tanto que às vezes me vinha enquanto era enrabado, apesar de ninguém me ter tocado na picha. Era só o prazer de sentir a picha de outro gajo a enfiar-se-me no cu até às tripas, está a ver? Mas ficar no meio, foder e ao mesmo tempo ser fodido, era ainda melh… Mas, espere aí, não se vá embora. Deixe-me contar-lhe de uma vez em que éramos dez, todos enleados uns nos outros.
Tomé pensou, não sem alguma tristeza, que o velhote já não conseguia desejar mas ainda se lembrava suficientemente do desejo para querer satisfazê-lo.
- Não sei se é uma explicação neurologicamente rigorosa, mas acho que fala porque já não consegue foder. É por isso que é incontinente verbal.
Depois de dirigir essas palavras a si mesmo, Tomé perguntou-se também, mas sem conseguir encontrar nenhuma resposta, se aquela desinibição desregrada provocada pela doença significaria que o velhote agora era mais livre do que quando obedecia às convenções sociais e guardava segredo das suas aventuras sexuais.
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Tomé
sábado, 4 de setembro de 2010
Os olhos do amor
- Estou horrível, uma bruxa autêntica!
- Mentira. Cada dia que passa tens melhor aspecto. E estás mais bonita que estas enfermeiras boazonas todas juntas!
- Melhor sim, mas horrível à mesm…
Um beijo superficial mas intenso nos seus lábios pálidos e descarnados impediram-na de continuar. A enfermeira que vinha a entrar no quarto sorriu e voltou para trás.
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Casal
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A casa da avó é onde o coração quiser
Depois de meia hora a lamber e a perfurar com os dedos os estreitos orifícios da rapariga, e após a aguda explosão de gemidos que se seguiu a muitos gritinhos de prazer, Sofia sentou-se na cama e sorriu, inebriada pelo prazer da outra. Diminuiu o sorriso para metade e ficou calada e imóvel, submersa em pensamentos que a rapariga não conseguia perscrutar, apesar de espreitar com ávida e silenciosa atenção o seu rosto bonito e todos os centímetros da sua nudez. Passaram vários minutos até o silêncio ser quebrado, quando o sorriso de Sofia se rasgou de novo.
- Os teus buraquinhos fazem-me lembrar a casa da minha avó.
- Hã?? A minha cona faz-te lembrar a cona da tua avó?
- Não! Sei lá como era a cona da minha avó! A casa, eu disse a casa. A tua cona e o teu cu fazem-me lembrar a casa da minha avó, que também era muito acolhedora e saborosa – sempre cheia de doces, compotas, xaropes de açúcar e mel, um mel divino! Tal qual os teus buraquinhos!
- …
- Não dizes nada? Não importa! As recordações só alimentam a pessoa que recorda. Alimentam e prendem, caso sejam conduzidas por um coração desvairado. Mas, realmente, nada disto tem importância. Anda, vem. Deixa de me comer com os olhos e come-me a sério. Quero ser engolida pela tua boca!
Quando Sofia disse esta última frase, o rosto de Marta pousou sobre o rosto da rapariga e substituiu-o durante alguns segundos, mas desapareceu assim que a língua dela lhe penetrou a boca e as suas mãos lhe tomaram posse dos seios.
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Sofia
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O mundo debaixo da mesa
Tomé ficou estupefacto quando, ao entrar na sala de jantar onde a família estava reunida diante de uma deliciosa refeição, viu a perna da irmã estendida por debaixo da mesa e o seu pé descalço a acariciar uma perna que não era do seu amado marido. A dita cuja pertencia a uma prima quarentona e solteira, um mulherão cujo decote e traseiro empinado costumavam deixar os homens a salivar. O mais espantoso era o discreto olhar cúmplice com que o cunhado de Tomé acompanhava a situação. Nunca observara qualquer sinal que indiciasse uma situação daquelas. Era como se, afinal, não conhecesse aquelas pessoas que, no entanto, lhe eram familiares há muitos anos. Debaixo da aparência com que a vida se costumava apresentar havia um mundo inteiro diferente. “Vivendo e aprendendo”, pensou Tomé enquanto ocupava o seu lugar à mesa e se servia de um pouco de vinho.
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Tomé
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Teologia sexual
Contaram a Tomé que o padre, enquanto enfiava o pénis na boca das suas paroquianas, dizia: "Chupa, filha, e encontrarás o Reino do Senhor". Quando se tratava de orífícios situados mais abaixo a máxima teológica que proferia era: "Ajuda-me a apagar este fogo que me consome, pobre pecadora! Ajuda-me e salva a tua alma ao mesmo tempo que salvo a minha!"
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Tomé
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
O que não se aprende na catequese
Maria viu um grupo de raparigas saírem da catequese, seguidas da catequista. Quando percebeu que esta era uma antiga colega de escola com quem sempre se dera mal resolveu aproximar-se. As raparigas andavam todas nos doze e treze anos e algumas já pareciam umas mulherezinhas. A catequista reconheceu Maria e, a memória da sua inimizade aliada aos rumores que tinha ouvido sobre o seu comportamento, levaram-na a apressar as raparigas. Mas Maria apanhou-as rapidamente e, ignorando a antiga colega, perguntou às outras:
- Meninas, ouviram falar daquele terramoto que houve na China na semana passada? Morreram milhares de pessoas… E aquele bebé que foi queimado pelos…?
- Maria, por favor! Não perturbes as…
- Eu não quero perturbar, mas apenas perguntar uma coisa: como é que raio um Deus bom permite que haja tanto mal? Não costumam falar sobre isso na catequese?
- Maria…
- Claro que não costumam, o padre ainda se zangava se alguém tivesse a ousadia de pensar dentro da sua igreja! Lembro-me bem de como eras uma cabra conformista, sempre a dizer que sim aos professores e… Caralho, que lambe-botas!
- Vamos embora, meninas!
- Vão, mas fiquem a saber que a vossa catequista não é a santa que aparenta: quando andávamos no Liceu ela deixou-se foder por mais de metade dos rapazes da escola e dizia-se que fazia broches aos professores para ter boas notas!
- Vamos, vamos!
A catequista tinha ficado com a cara muito vermelha e o nervosismo fazia-a mexer freneticamente as mãos. As raparigas iam andando à sua frente, mas - curiosas e divertidas com a situação – não se apressavam muito. Depois de as seguir durante alguns metros, Maria parou, mas antes de elas se afastarem muito levantou a voz e disse:
- Vou ensinar-lhes uma oração que a puta cobarde da vossa catequista nunca vos ensinará, embora a conheça bem. Aprendam-na bem, pois em breve vos será útil. É assim: “Deus Nosso Senhor, dá-me a mim um desejo insaciável e aos meus amantes uma picha sempre dura para saciá-lo várias vezes ao dia. Dá-me esporra e prazer em grande quantidade e guarda os filhos para a minha vizinha. Amén!”
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Maria
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A Anti-Virgem
"Se a Virgem Maria concebeu sem pecar, porque é que eu não posso pecar sem conceber?"
Maria Jesus dos Santos (adolescente portuguesa que, quando for grande, pretende ser mais puta e mais rica que Paris Hilton)
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Citação erótica
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Fumos de corrupção: com mil caralhos!
Tomé apanhou o jornal no chão e aproximou-se para o devolver ao distinto cavalheiro que o tinha deixado cair. Quando lhe viu a cara reconheceu um dos ministros mais importantes do governo, tão conhecido pelas decisões políticas polémicas como pelas notícias acerca de negócios obscuros em que – dizia-se - tinha estado envolvido antes de ir para o governo – “fumos de corrupção”, costumavam dizer os jornais. Ao estender o jornal na sua direcção, Tomé ouviu uma breve troca de palavras entre ele e a loira espampanante e curvilínea que o acompanhava:
- Com mil caralhos!
- Precisas de vários, não é?
Tomé ficou a pensar se aquilo era mais parecido a uma jogada de ping-pong ou a uma troca de tiros, mas o que mais o surpreendeu é que a segunda fala tinha sido da loira e não do ministro.
- Com mil caralhos!
- Precisas de vários, não é?
Tomé ficou a pensar se aquilo era mais parecido a uma jogada de ping-pong ou a uma troca de tiros, mas o que mais o surpreendeu é que a segunda fala tinha sido da loira e não do ministro.
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Tomé
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O sexo e a brevidade da vida
SONETO DO PRAZER EFÉMERO
Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:
Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.
Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?
Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!
Bocage
Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:
Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.
Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?
Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!
Bocage
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Poemas eróticos
domingo, 1 de agosto de 2010
Bela e sem nariz
Esta mulher é muito, muito bela. Feia é a ignorância, feia é a intolerância, feio é o fanatismo.
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Reflexão erótica
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Chantagem deliciosa
Demasiado bêbada para se lembrar da taxista deficiente e do seu insinuante elogio, Sofia chegou a casa e dormiu muitas horas seguidas. A ressaca foi absorvida pelos seus sonhos inquietos e desconexos e, por isso, acordou bem-disposta. Feliz, até. Quando estava a tomar um pequeno-almoço muito tardio, com a mente dividida entre a taxista e Marta, tocaram à porta. Era uma mulher, quase uma rapariga, a vender colares, cuja artesã era a própria. Eram bonitos, sobretudos se observados na mão da sua criadora e vendedora – uma mulata magra, mas bela e repleta de curvas sensuais. Sofia convidou-a a entrar e mostrou-se interessada nos colares. Ofereceu-lhe um sumo de laranja e, no meio de algumas perguntas sobre os preços e a variedade de cores e formas, perguntou se se podiam tratar por tu. Enquanto experimentava os colares, diante de um espelho que tinha ido buscar, foi direita ao assunto:
- Olha… Eu não costumo ser assim tão directa e rápida e tenho dúvidas que isto seja muito ético… Para falar verdade, tenho a certeza que é errado, mas…
- O que estás para aí a dizer? Vais roubar-me os colares?
- Não, não… Compro-te os colares todos, se fizeres amor comigo.
A mulata riu com um riso quase tão deslumbrante como o de Marta e disse:
- Que chantagem deliciosa! É como se me pagasses a dobrar… Que digo eu? Linda como és, é como se pagasses dez vezes mais! Porque é que disseste que é errado?
- Quer dizer que aceitas?
- Minha querida, eu até pagava para ir para a cama conti…
Sofia interrompeu-a com uma carícia súbita nos cabelos e depois atraiu-a a si e colou os seus lábios aos dela.
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Sofia
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Boca de metal
A rapariga que vendeu o jornal a Maria deu-lhe o troco juntamente com um simpático sorriso, dividindo a atenção entre o trabalho e o namorado que tinha acabado de chegar. Era bonita, mas tinha um aparelho nos dentes que fazia da sua boca um surpreendente buraco prateado e metálico, como se fosse uma fenda numa máquina. Maria ignorou a simpatia e o brilho de felicidade nos olhos da rapariga, ignorou o amor e a ternura que havia nos gestos do rapaz, esqueceu que conhecia ambos há anos, e, empurrada por um desejo de magoar e ferir não apenas aqueles dois jovens mas o mundo inteiro, vociferou raivosamente:
- Ouve lá ò Cecília Marreca: com essa serra que tens nos dentes de certeza que não consegues fazer um broche ao picha mole do teu namorado! E toda a gente sabe que essa é a única maneira dele endireitá-la por um bocadinho! Por isso… Para que são esses sorrisos felizes?
E saiu porta fora, sem esperar pela resposta do atónito casal e derrubando propositadamente uma pilha de revistas que esperavam a arruamção.
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Maria
terça-feira, 20 de julho de 2010
O que é a vida?
"A vida é uma soda!"
Fócrates
Fócrates
(Li esta afirmação, e respectiva autoria, na porta de uma casa de banho masculina numa Universidade de Lisboa, lado a lado com pérolas literárias deste quilate: "O primeiro-ministro além de ladrão é maricas", "A mãe do Zé faz uns broches do caralho!", "A Carolina Matias é a maior puta da Faculdade", "Rapaz bonito quer foder e ser fodido"...)
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Citação erótica
domingo, 18 de julho de 2010
Masturbação motorizada
Tomé meteu por uma estrada secundária. Levaria mais tempo a chegar, mas estava farto do trânsito e dos adeptos da velocidade que enchiam a auto-estrada. Além disso, a paisagem era mais bonita. A certa altura, numa estradazinha que atravessava um bosque viu ao longe uma mota que vinha na sua direcção. Não era bem uma mota, percebeu quando a distância diminuiu. Mais parecia uma simples bicicleta a que, alguém habilidoso, tinha acrescentado um motor. Trazia duas pessoas. Quando a distância permitiu distinguir pormenores, Tomé verificou que se tratava de um homem e de uma mulher muito altos e louros e que ambos pareciam estar nus. Tomé reduziu a velocidade para poder observar melhor e, ainda com espanto, verificou que a mulher - que ia sentada a atrás - tinha o braço estendido de modo a agarrar o pénis do homem. Estava a masturbá-lo! Tomé diminuiu ainda mais a velocidade e quando estava a cerca de dois metros do estranho par viu o esperma saltar abundantemente para o ar, indo cair no guiador da motorizada e no asfalto sujo da estrada campestre. O homem emitiu alguns gemidos de prazer misturados com palavras ditas numa áspera língua nórdica qualquer que Tomé conseguiu ouvir, apesar do barulho dos motores e do chilrear intenso dos pássaros. Quando passaram ao lado do carro de Tomé o homem e a mulher sorriram-lhe com simpatia e acenaram. Tomé correspondeu e, antes de acelerar e os deixar para trás, ainda teve tempo de ver um pouco de esperma a escorrer pela mão da mulher abaixo.
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Tomé
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Uma nova vida
O coração do Guilherme estremeceu quando a viu entrar, muito atrasada, na primeira aula do primeiro dia de aulas na Universidade - e, esperava ele, na sua nova vida. O cabelo castanho claro em desalinho rodeava um rosto regular e moreno de mulher jovem que ainda não se convenceu completamente que já não é rapariga. Olhando outra vez, percebia-se que era um rosto muito bonito, habitado por uma beleza imensa e fora do comum, mas que não se impunha à falta de atenção e precisava de ser descoberta. Tinha um vestido branco discreto e largo que sugeria um corpo sensual, embora não revelasse nenhum dos seus segredos.
Havia poucos lugares vazios, um deles ao lado de Guilherme. Sentou-se e, depois de escutar durante alguns segundos a monocórdica explicação do professor sobre a bibliografia do tema B, virou-se e perguntou baixinho: “Começou há muito tempo?” Guilherme teve a sensação de que o sorriso que se seguiu à pergunta tinha enchido a sala de luz e de música. Era uma luz que, além de ser visível, podia ser tocada e era uma música que, além de se ouvir, desprendia aromas inebriantes. Guilherme sentiu que se quisesse poderia voar e que só não voava porque queria estar ao pé dela. Por isso, foi com atrapalhação que percebeu que a voz lhe saiu fanhosa e que a frase “Começou mais ou menos há 20 minutos” soara como um grasnado de pato.
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Guilherme
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Sem cura
Quando o médico lhe disse que estava quase, quase curada e suficientemente boa para ir para casa, Maria teve um dos seus impulsos maldosos e destrutivos, mas, ao reparar no seu rosto bondoso e enrugado pelos anos, conteve os insultos que pululavam na sua garganta e abafou na origem o desejo de lhe apalpar agressivamente o sexo. Foi arrumar as suas coisas com a cara lavada em lágrimas e em silêncio, indiferente às perguntas das enfermeiras. Quando pensou que “estava tudo menos curada” sentiu vontade de bater com a cabeça na parede e atirar-se pela janela. Mas algo a demoveu e não foi o facto de se tratar do 9º andar. Maria não queria perturbar rosto bondoso do velho médico.
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Maria
terça-feira, 13 de julho de 2010
Inatingível como a Lua
A nova colega de José era uma daquelas mulheres que fazem os homens virar a cabeça na sua direcção, mesmo que sejam pudicos ou amem muito as suas esposas. Tinha um rosto bonito e, aplicada a si, a expressão “corpo de sonho” deixava de ser uma metáfora gasta pelo uso e tornava-se uma descrição tão objectiva como dizer que as mulheres têm dois seios.
José ouviu os colegas comentarem milimetricamente as suas curvas e “o grande tesão” que sentiam ao vê-la - “fico sempre com uma erecção do caraças”, disse um com a aprovação dos outros todos.
O olhar de José também se afogava nos detalhes do corpo da colega e seguia os seus movimentos e maneios como se nela houvesse um íman para os olhos. Mas fazia-o sem a exaltação masculina e sem o orgulho viril dos colegas. Observava-a com um desejo envergonhado e sujo de tristeza. Em vez de uma veemente erecção ele sentia que, não só o seu pénis como também o seu coração, encolhiam. A visão daquele traseiro opulento fazia-o sentir pequenino, frágil e incapaz - “não tenho picha para aquilo”, murmurava, recordando o seu pénis flácido e indiferente ao corpo nu da esposa roçando-se no seu. Normalmente José só conseguia ter uma erecção se a esposa o chupasse. Isso fazia-o sentir-se desprezível: “As mulheres gostam de chupar uma picha porque a vêem grande, não gostam de chupar para a empinar”.
Passou um colega e disse: “Zé! Estás a chorar?!” José deu uma desculpa vaga relacionada com reacções alérgicas a um medicamento, mas a faísca que disparara as lágrimas fora o pensamento de que as suas erecções, além de difíceis de alcançar, serviam de pouco, pois a rapidez com que ejaculava condenava sempre a sua parceira à frustração.
José limpou as lágrimas com um lenço e encolheu-se sobre si mesmo. Sentia nojo de si próprio e, ao ver o seu reflexo na superfície espelhada de um armário, comparou-se a um papel amarrotado e sujo, tão peganhento e repelente que uma pessoa em vez de lhe jogar mão e pô-lo imediatamente no lixo vai antes buscar a pá e a vassoura.
“Não presto”, murmurou. Vista do buraco da sua vida, a linda nova colega de José era inatingível como a Lua.
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José
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