"O cérebro é o meu segundo órgão preferido."
Woody Allen
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Assuntos domésticos
Assim que a viu, Tomé começou a comer com os olhos uma cinquentona bem conservada e de curvas volumosas que falava ao telemóvel encostada a uma parede do restaurante. Aproximou-se, discretamente mas com uma desculpa para falar com ela na ponta da língua. Ouviu-a dar instruções à criada acerca do jantar e da roupa que era preciso arrumar. Tomé julgou que ela ia desligar, mas a mulher ainda acrescentou um pedido, proferido com a naturalidade com que falara dos assuntos domésticos:
- Só mais uma coisa, Maria de Fátima. Tenho trabalho muito nos últimos dias e não consegui dar muita atenção ao seu patrão. Veja se o coitadinho precisa de alguma coisa, se lhe apetece… sei lá, um broche ou mesmo a coisa completa. Desconfio que ele anda carente e uma hora a foder só lhe faria bem! Se ele quiser não se preocupe com a roupa, está bem?
A mulher desligou e olhou para Tomé, que entretanto se aproximara como se lhe fosse falar. Este, contudo, não conseguiu pronunciar palavra e ficou a vê-la afastar-se bamboleando o roliço traseiro. E, ainda antes de reparar na erecção que prosperava no seu baixo-ventre, observou com filosófica resignação:
- Um broche ou mesmo uma foda completa… Não deixam de ser assuntos domésticos!
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Tomé
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Garanhão apaixonado
Depois de terem feito amor ficaram muito tempo deitados em silêncio, como se ainda estivessem a absorver o caudaloso rio de prazer em que tinham mergulhado. A certa altura ela murmurou "meu garanhão", enquanto lhe acariciava o peito peludo. Ele riu-se e, diante do deliciado sorriso dela, disse:
- O mérito é principalmente teu. Confundo tanto o sexo contigo que se fosse para a cama com outra mulher teria provavelmente que usar Viagra...
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Casal
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Leva-me tudo que eu tenha, amor
Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António Botto (1897-19599
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
–Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António Botto (1897-19599
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Poemas eróticos
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sonho literal
- Gostei de te ver comer o gelado ontem! Estás definitivamente melhor. Quase, quase curada.
- Até sonhei com ele ontem à noite.
- Isso é sinal que querias comer outro. Queres que vá comprar um?
- Não é preciso. Eu sonhei que estava a comer o gelado, mas a meio do sonho o gelado transformou-se no teu caralho e até ao final do sonho foi o teu caralho que eu lambi e chupei.
- Eh, eh! Isso é melhor que a opinião de mil médicos: estás curada! Esse sonho é tão óbvio que não chega a ter segundo sentido. Para o interpretar não é preciso ser psicanalista.
- Yeh! É mais literal que uma equação matemática: preciso de foder!
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Casal
domingo, 19 de setembro de 2010
Desejo impotente
Tomé ia de vez em quando visitar a sua velha tia Irene ao Lar de Idosos onde esta vivia. Um dia descobriu que este tinha um novo hóspede: um velhote de cadeira de rodas cuja cara era vagamente familiar. Tomé reconheceu-o ao fim de alguns minutos: era um gay conhecido em toda a cidade, que tinha desaparecido de circulação há meses atrás devido a uma misteriosa doença neurológica de que ninguém sabia dizer o nome. Durante décadas fora um distinto cavalheiro cujas preferências sexuais despertavam silenciosos olhares reprovadores, mas que, graças à sua discrição e finura de maneiras, nunca causara nenhum escândalo. Mas agora algo se desarranjara no seu cérebro e falava pelos cotovelos, tendo o sexo como tema único. Fazia a sua cadeira deslizar até ao pé dos outros idosos e das suas visitas e, sem nenhum aviso, começava a descrever os seus encontros sexuais com marinheiros e operários. Contaram a Tomé que a frase “havia um preto muito alto com um caralho tão grande que… não havia cu que aguentasse” já tinha provocado desmaios em duas senhoras especialmente afectadas (e, dizia-se, carentes) que lá tinham ido em visita social. O velhote nunca se calava, como se tivesse uma fábrica de palavras e recordações sexuais dentro da cabeça.
- Quem nunca experimentou levar no cu não devia criticar! É tão, tão bom! Eu gostava tanto que às vezes me vinha enquanto era enrabado, apesar de ninguém me ter tocado na picha. Era só o prazer de sentir a picha de outro gajo a enfiar-se-me no cu até às tripas, está a ver? Mas ficar no meio, foder e ao mesmo tempo ser fodido, era ainda melh… Mas, espere aí, não se vá embora. Deixe-me contar-lhe de uma vez em que éramos dez, todos enleados uns nos outros.
Tomé pensou, não sem alguma tristeza, que o velhote já não conseguia desejar mas ainda se lembrava suficientemente do desejo para querer satisfazê-lo.
- Não sei se é uma explicação neurologicamente rigorosa, mas acho que fala porque já não consegue foder. É por isso que é incontinente verbal.
Depois de dirigir essas palavras a si mesmo, Tomé perguntou-se também, mas sem conseguir encontrar nenhuma resposta, se aquela desinibição desregrada provocada pela doença significaria que o velhote agora era mais livre do que quando obedecia às convenções sociais e guardava segredo das suas aventuras sexuais.
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Tomé
sábado, 4 de setembro de 2010
Os olhos do amor
- Estou horrível, uma bruxa autêntica!
- Mentira. Cada dia que passa tens melhor aspecto. E estás mais bonita que estas enfermeiras boazonas todas juntas!
- Melhor sim, mas horrível à mesm…
Um beijo superficial mas intenso nos seus lábios pálidos e descarnados impediram-na de continuar. A enfermeira que vinha a entrar no quarto sorriu e voltou para trás.
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Casal
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
A casa da avó é onde o coração quiser
Depois de meia hora a lamber e a perfurar com os dedos os estreitos orifícios da rapariga, e após a aguda explosão de gemidos que se seguiu a muitos gritinhos de prazer, Sofia sentou-se na cama e sorriu, inebriada pelo prazer da outra. Diminuiu o sorriso para metade e ficou calada e imóvel, submersa em pensamentos que a rapariga não conseguia perscrutar, apesar de espreitar com ávida e silenciosa atenção o seu rosto bonito e todos os centímetros da sua nudez. Passaram vários minutos até o silêncio ser quebrado, quando o sorriso de Sofia se rasgou de novo.
- Os teus buraquinhos fazem-me lembrar a casa da minha avó.
- Hã?? A minha cona faz-te lembrar a cona da tua avó?
- Não! Sei lá como era a cona da minha avó! A casa, eu disse a casa. A tua cona e o teu cu fazem-me lembrar a casa da minha avó, que também era muito acolhedora e saborosa – sempre cheia de doces, compotas, xaropes de açúcar e mel, um mel divino! Tal qual os teus buraquinhos!
- …
- Não dizes nada? Não importa! As recordações só alimentam a pessoa que recorda. Alimentam e prendem, caso sejam conduzidas por um coração desvairado. Mas, realmente, nada disto tem importância. Anda, vem. Deixa de me comer com os olhos e come-me a sério. Quero ser engolida pela tua boca!
Quando Sofia disse esta última frase, o rosto de Marta pousou sobre o rosto da rapariga e substituiu-o durante alguns segundos, mas desapareceu assim que a língua dela lhe penetrou a boca e as suas mãos lhe tomaram posse dos seios.
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Sofia
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O mundo debaixo da mesa
Tomé ficou estupefacto quando, ao entrar na sala de jantar onde a família estava reunida diante de uma deliciosa refeição, viu a perna da irmã estendida por debaixo da mesa e o seu pé descalço a acariciar uma perna que não era do seu amado marido. A dita cuja pertencia a uma prima quarentona e solteira, um mulherão cujo decote e traseiro empinado costumavam deixar os homens a salivar. O mais espantoso era o discreto olhar cúmplice com que o cunhado de Tomé acompanhava a situação. Nunca observara qualquer sinal que indiciasse uma situação daquelas. Era como se, afinal, não conhecesse aquelas pessoas que, no entanto, lhe eram familiares há muitos anos. Debaixo da aparência com que a vida se costumava apresentar havia um mundo inteiro diferente. “Vivendo e aprendendo”, pensou Tomé enquanto ocupava o seu lugar à mesa e se servia de um pouco de vinho.
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Tomé
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Teologia sexual
Contaram a Tomé que o padre, enquanto enfiava o pénis na boca das suas paroquianas, dizia: "Chupa, filha, e encontrarás o Reino do Senhor". Quando se tratava de orífícios situados mais abaixo a máxima teológica que proferia era: "Ajuda-me a apagar este fogo que me consome, pobre pecadora! Ajuda-me e salva a tua alma ao mesmo tempo que salvo a minha!"
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Tomé
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
O que não se aprende na catequese
Maria viu um grupo de raparigas saírem da catequese, seguidas da catequista. Quando percebeu que esta era uma antiga colega de escola com quem sempre se dera mal resolveu aproximar-se. As raparigas andavam todas nos doze e treze anos e algumas já pareciam umas mulherezinhas. A catequista reconheceu Maria e, a memória da sua inimizade aliada aos rumores que tinha ouvido sobre o seu comportamento, levaram-na a apressar as raparigas. Mas Maria apanhou-as rapidamente e, ignorando a antiga colega, perguntou às outras:
- Meninas, ouviram falar daquele terramoto que houve na China na semana passada? Morreram milhares de pessoas… E aquele bebé que foi queimado pelos…?
- Maria, por favor! Não perturbes as…
- Eu não quero perturbar, mas apenas perguntar uma coisa: como é que raio um Deus bom permite que haja tanto mal? Não costumam falar sobre isso na catequese?
- Maria…
- Claro que não costumam, o padre ainda se zangava se alguém tivesse a ousadia de pensar dentro da sua igreja! Lembro-me bem de como eras uma cabra conformista, sempre a dizer que sim aos professores e… Caralho, que lambe-botas!
- Vamos embora, meninas!
- Vão, mas fiquem a saber que a vossa catequista não é a santa que aparenta: quando andávamos no Liceu ela deixou-se foder por mais de metade dos rapazes da escola e dizia-se que fazia broches aos professores para ter boas notas!
- Vamos, vamos!
A catequista tinha ficado com a cara muito vermelha e o nervosismo fazia-a mexer freneticamente as mãos. As raparigas iam andando à sua frente, mas - curiosas e divertidas com a situação – não se apressavam muito. Depois de as seguir durante alguns metros, Maria parou, mas antes de elas se afastarem muito levantou a voz e disse:
- Vou ensinar-lhes uma oração que a puta cobarde da vossa catequista nunca vos ensinará, embora a conheça bem. Aprendam-na bem, pois em breve vos será útil. É assim: “Deus Nosso Senhor, dá-me a mim um desejo insaciável e aos meus amantes uma picha sempre dura para saciá-lo várias vezes ao dia. Dá-me esporra e prazer em grande quantidade e guarda os filhos para a minha vizinha. Amén!”
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Maria
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A Anti-Virgem
"Se a Virgem Maria concebeu sem pecar, porque é que eu não posso pecar sem conceber?"
Maria Jesus dos Santos (adolescente portuguesa que, quando for grande, pretende ser mais puta e mais rica que Paris Hilton)
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Citação erótica
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Fumos de corrupção: com mil caralhos!
Tomé apanhou o jornal no chão e aproximou-se para o devolver ao distinto cavalheiro que o tinha deixado cair. Quando lhe viu a cara reconheceu um dos ministros mais importantes do governo, tão conhecido pelas decisões políticas polémicas como pelas notícias acerca de negócios obscuros em que – dizia-se - tinha estado envolvido antes de ir para o governo – “fumos de corrupção”, costumavam dizer os jornais. Ao estender o jornal na sua direcção, Tomé ouviu uma breve troca de palavras entre ele e a loira espampanante e curvilínea que o acompanhava:
- Com mil caralhos!
- Precisas de vários, não é?
Tomé ficou a pensar se aquilo era mais parecido a uma jogada de ping-pong ou a uma troca de tiros, mas o que mais o surpreendeu é que a segunda fala tinha sido da loira e não do ministro.
- Com mil caralhos!
- Precisas de vários, não é?
Tomé ficou a pensar se aquilo era mais parecido a uma jogada de ping-pong ou a uma troca de tiros, mas o que mais o surpreendeu é que a segunda fala tinha sido da loira e não do ministro.
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Tomé
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O sexo e a brevidade da vida
SONETO DO PRAZER EFÉMERO
Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:
Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.
Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?
Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!
Bocage
Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:
Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.
Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?
Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!
Bocage
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Poemas eróticos
domingo, 1 de agosto de 2010
Bela e sem nariz
Esta mulher é muito, muito bela. Feia é a ignorância, feia é a intolerância, feio é o fanatismo.
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Reflexão erótica
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Chantagem deliciosa
Demasiado bêbada para se lembrar da taxista deficiente e do seu insinuante elogio, Sofia chegou a casa e dormiu muitas horas seguidas. A ressaca foi absorvida pelos seus sonhos inquietos e desconexos e, por isso, acordou bem-disposta. Feliz, até. Quando estava a tomar um pequeno-almoço muito tardio, com a mente dividida entre a taxista e Marta, tocaram à porta. Era uma mulher, quase uma rapariga, a vender colares, cuja artesã era a própria. Eram bonitos, sobretudos se observados na mão da sua criadora e vendedora – uma mulata magra, mas bela e repleta de curvas sensuais. Sofia convidou-a a entrar e mostrou-se interessada nos colares. Ofereceu-lhe um sumo de laranja e, no meio de algumas perguntas sobre os preços e a variedade de cores e formas, perguntou se se podiam tratar por tu. Enquanto experimentava os colares, diante de um espelho que tinha ido buscar, foi direita ao assunto:
- Olha… Eu não costumo ser assim tão directa e rápida e tenho dúvidas que isto seja muito ético… Para falar verdade, tenho a certeza que é errado, mas…
- O que estás para aí a dizer? Vais roubar-me os colares?
- Não, não… Compro-te os colares todos, se fizeres amor comigo.
A mulata riu com um riso quase tão deslumbrante como o de Marta e disse:
- Que chantagem deliciosa! É como se me pagasses a dobrar… Que digo eu? Linda como és, é como se pagasses dez vezes mais! Porque é que disseste que é errado?
- Quer dizer que aceitas?
- Minha querida, eu até pagava para ir para a cama conti…
Sofia interrompeu-a com uma carícia súbita nos cabelos e depois atraiu-a a si e colou os seus lábios aos dela.
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Sofia
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Boca de metal
A rapariga que vendeu o jornal a Maria deu-lhe o troco juntamente com um simpático sorriso, dividindo a atenção entre o trabalho e o namorado que tinha acabado de chegar. Era bonita, mas tinha um aparelho nos dentes que fazia da sua boca um surpreendente buraco prateado e metálico, como se fosse uma fenda numa máquina. Maria ignorou a simpatia e o brilho de felicidade nos olhos da rapariga, ignorou o amor e a ternura que havia nos gestos do rapaz, esqueceu que conhecia ambos há anos, e, empurrada por um desejo de magoar e ferir não apenas aqueles dois jovens mas o mundo inteiro, vociferou raivosamente:
- Ouve lá ò Cecília Marreca: com essa serra que tens nos dentes de certeza que não consegues fazer um broche ao picha mole do teu namorado! E toda a gente sabe que essa é a única maneira dele endireitá-la por um bocadinho! Por isso… Para que são esses sorrisos felizes?
E saiu porta fora, sem esperar pela resposta do atónito casal e derrubando propositadamente uma pilha de revistas que esperavam a arruamção.
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Maria
terça-feira, 20 de julho de 2010
O que é a vida?
"A vida é uma soda!"
Fócrates
Fócrates
(Li esta afirmação, e respectiva autoria, na porta de uma casa de banho masculina numa Universidade de Lisboa, lado a lado com pérolas literárias deste quilate: "O primeiro-ministro além de ladrão é maricas", "A mãe do Zé faz uns broches do caralho!", "A Carolina Matias é a maior puta da Faculdade", "Rapaz bonito quer foder e ser fodido"...)
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Citação erótica
domingo, 18 de julho de 2010
Masturbação motorizada
Tomé meteu por uma estrada secundária. Levaria mais tempo a chegar, mas estava farto do trânsito e dos adeptos da velocidade que enchiam a auto-estrada. Além disso, a paisagem era mais bonita. A certa altura, numa estradazinha que atravessava um bosque viu ao longe uma mota que vinha na sua direcção. Não era bem uma mota, percebeu quando a distância diminuiu. Mais parecia uma simples bicicleta a que, alguém habilidoso, tinha acrescentado um motor. Trazia duas pessoas. Quando a distância permitiu distinguir pormenores, Tomé verificou que se tratava de um homem e de uma mulher muito altos e louros e que ambos pareciam estar nus. Tomé reduziu a velocidade para poder observar melhor e, ainda com espanto, verificou que a mulher - que ia sentada a atrás - tinha o braço estendido de modo a agarrar o pénis do homem. Estava a masturbá-lo! Tomé diminuiu ainda mais a velocidade e quando estava a cerca de dois metros do estranho par viu o esperma saltar abundantemente para o ar, indo cair no guiador da motorizada e no asfalto sujo da estrada campestre. O homem emitiu alguns gemidos de prazer misturados com palavras ditas numa áspera língua nórdica qualquer que Tomé conseguiu ouvir, apesar do barulho dos motores e do chilrear intenso dos pássaros. Quando passaram ao lado do carro de Tomé o homem e a mulher sorriram-lhe com simpatia e acenaram. Tomé correspondeu e, antes de acelerar e os deixar para trás, ainda teve tempo de ver um pouco de esperma a escorrer pela mão da mulher abaixo.
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Tomé
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Uma nova vida
O coração do Guilherme estremeceu quando a viu entrar, muito atrasada, na primeira aula do primeiro dia de aulas na Universidade - e, esperava ele, na sua nova vida. O cabelo castanho claro em desalinho rodeava um rosto regular e moreno de mulher jovem que ainda não se convenceu completamente que já não é rapariga. Olhando outra vez, percebia-se que era um rosto muito bonito, habitado por uma beleza imensa e fora do comum, mas que não se impunha à falta de atenção e precisava de ser descoberta. Tinha um vestido branco discreto e largo que sugeria um corpo sensual, embora não revelasse nenhum dos seus segredos.
Havia poucos lugares vazios, um deles ao lado de Guilherme. Sentou-se e, depois de escutar durante alguns segundos a monocórdica explicação do professor sobre a bibliografia do tema B, virou-se e perguntou baixinho: “Começou há muito tempo?” Guilherme teve a sensação de que o sorriso que se seguiu à pergunta tinha enchido a sala de luz e de música. Era uma luz que, além de ser visível, podia ser tocada e era uma música que, além de se ouvir, desprendia aromas inebriantes. Guilherme sentiu que se quisesse poderia voar e que só não voava porque queria estar ao pé dela. Por isso, foi com atrapalhação que percebeu que a voz lhe saiu fanhosa e que a frase “Começou mais ou menos há 20 minutos” soara como um grasnado de pato.
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Guilherme
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Sem cura
Quando o médico lhe disse que estava quase, quase curada e suficientemente boa para ir para casa, Maria teve um dos seus impulsos maldosos e destrutivos, mas, ao reparar no seu rosto bondoso e enrugado pelos anos, conteve os insultos que pululavam na sua garganta e abafou na origem o desejo de lhe apalpar agressivamente o sexo. Foi arrumar as suas coisas com a cara lavada em lágrimas e em silêncio, indiferente às perguntas das enfermeiras. Quando pensou que “estava tudo menos curada” sentiu vontade de bater com a cabeça na parede e atirar-se pela janela. Mas algo a demoveu e não foi o facto de se tratar do 9º andar. Maria não queria perturbar rosto bondoso do velho médico.
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Maria
terça-feira, 13 de julho de 2010
Inatingível como a Lua
A nova colega de José era uma daquelas mulheres que fazem os homens virar a cabeça na sua direcção, mesmo que sejam pudicos ou amem muito as suas esposas. Tinha um rosto bonito e, aplicada a si, a expressão “corpo de sonho” deixava de ser uma metáfora gasta pelo uso e tornava-se uma descrição tão objectiva como dizer que as mulheres têm dois seios.
José ouviu os colegas comentarem milimetricamente as suas curvas e “o grande tesão” que sentiam ao vê-la - “fico sempre com uma erecção do caraças”, disse um com a aprovação dos outros todos.
O olhar de José também se afogava nos detalhes do corpo da colega e seguia os seus movimentos e maneios como se nela houvesse um íman para os olhos. Mas fazia-o sem a exaltação masculina e sem o orgulho viril dos colegas. Observava-a com um desejo envergonhado e sujo de tristeza. Em vez de uma veemente erecção ele sentia que, não só o seu pénis como também o seu coração, encolhiam. A visão daquele traseiro opulento fazia-o sentir pequenino, frágil e incapaz - “não tenho picha para aquilo”, murmurava, recordando o seu pénis flácido e indiferente ao corpo nu da esposa roçando-se no seu. Normalmente José só conseguia ter uma erecção se a esposa o chupasse. Isso fazia-o sentir-se desprezível: “As mulheres gostam de chupar uma picha porque a vêem grande, não gostam de chupar para a empinar”.
Passou um colega e disse: “Zé! Estás a chorar?!” José deu uma desculpa vaga relacionada com reacções alérgicas a um medicamento, mas a faísca que disparara as lágrimas fora o pensamento de que as suas erecções, além de difíceis de alcançar, serviam de pouco, pois a rapidez com que ejaculava condenava sempre a sua parceira à frustração.
José limpou as lágrimas com um lenço e encolheu-se sobre si mesmo. Sentia nojo de si próprio e, ao ver o seu reflexo na superfície espelhada de um armário, comparou-se a um papel amarrotado e sujo, tão peganhento e repelente que uma pessoa em vez de lhe jogar mão e pô-lo imediatamente no lixo vai antes buscar a pá e a vassoura.
“Não presto”, murmurou. Vista do buraco da sua vida, a linda nova colega de José era inatingível como a Lua.
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José
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Conversa entre dois psicólogos depois de fazerem amor
Um psicólogo e uma psicóloga, ambos behavioristas (ou seja, comportamentalistas), depois de fazerem amor olharam-se ternamente nos olhos. "Tu gostaste", informou ele. Enquanto lhe acariciava os longos cabelos, falou novamente: "E eu? Gostei?"
(Nota: para perceber a piada é preciso saber o que é o behaviorismo.)
(Nota: para perceber a piada é preciso saber o que é o behaviorismo.)
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Anedotas eróticas
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Poema erótico de Bertold Brecht
O COITO E A SAUNA
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertold Brecht
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertold Brecht
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Poemas eróticos
Fingir
"Se os homens não querem que as mulheres finjam orgasmos não devem fingir nos preliminares."
Autora desconhecida
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Desejo morto
As dores da doença e o enjoo provocado pelos tratamentos tinham-lhe matado o desejo. Tentou convencê-lo a ir para a cama com outra mulher, mas não conseguiu: ele recusava em silêncio e impedia-a de insistir acariciando-lhe os lábios com os seus dedos longos de pianista. Essa recusa encheu-a de lágrimas e ternura e multiplicou o amor que sentia por ele, mas foi insuficiente para reacender o desejo no seu corpo massacrado pelo sofrimento. Sabia que ele precisava de sexo quase tanto como ela precisava dos comprimidos para as dores (antes de adoecer faziam amor três ou quatro vezes por dia) e observava uma certa agitação e tensão nos seus gestos, escondidas atrás da atenção e solicitude constante que ele lhe dedicava.
Pediu para ele se deitar ao lado dela na estreita cama do quarto privativo da Clínica Oncológica. Acariciou-lhe o peito peludo com carinho, mas sem o frenesim insaciável de outrora. Depois a sua mão percorreu o caminho que tão bem conhecia e foi acariciar o surpreendido e flácido pénis. Apesar do inicial protesto dele, o membro tão esquecido e negligenciado nas últimas semanas reagiu prontamente com uma compacta erecção. A sua mão magra, mas não esquecida da antiga sabedoria, desapertou rapidamente os botões e tirou o animal renascido para fora. Não olhou, para não aumentar ainda mais a mágoa e a culpa desesperada que a ausência de desejo a faziam sentir. Fez os movimentos que a memória das acções passadas lhe recomendou e, apesar da sua falta de calor, foi bem sucedida. O pénis inchou de excitação na sua mão fechada e pouco depois recompensou o seu esforço com uma abundante ejaculação, acompanhada de um crescendo de gemidos de prazer.
“Obrigado”, disse ele com uma pontinha de vergonha, enquanto limpava o esperma com uma toalha. “Obrigada eu, meu amor! Obrigada por existires!”, respondeu ela.
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Casal
sábado, 3 de julho de 2010
Há coisas que não são eróticas
Desde que, há oito anos, fora viver naquela casa, Tomé - com a ajuda dos seus binóculos de observar pássaros - conseguira várias vezes ver um vizinho do prédio a ter relações sexuais. Com a esposa, com a irmã e com as filhas, que eram raparigas de dezassete ou dezoito anos e que agora já iam nos vinte e tais. Nunca passaria pela cabeça de Tomé ir para a cama com a irmã, apesar de esta ser dona de uma sensualidade esplendorosa, nem com as filhas, se as tivesse. Mesmo assim, aos seus olhos, o facto dos amantes que espreitava terem laços de parentesco acrescentava um delicioso travo de coisa proibida às cenas e parecia reforçar o seu erotismo e atracção. Mas um dia Tomé observou algo inédito e chocante: a parceira de coito do vizinho da frente era uma criança. Focou melhor os binóculos e reconheceu-a: era uma das netas do homem e não devia ter mais de sete anos. Aquelas lentes tinham custado uma fortuna, mas conseguiam mostrar com nitidez as cores de um pássaro a muitas dezenas de metros. E agora conseguiam impedir que a distância escondesse as lágrimas da menina do olhar consternado de Tomé. Este pousou os binóculos, pegou no telemóvel e telefonou para a Polícia. Enquanto esperava que a chamada fosse atendida murmurou para si próprio: “Merda! Há coisas que não se fazem! Há coisas que… Há coisas que não são eróticas!”
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Tomé
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Qual dos dois tem razão?
“O Belo é difícil.”
Platão
Platão
“Com o correr dos anos, observei que a beleza, tal como a felicidade, é frequente. Não se passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o melhor verso da literatura, mas também os mais infelizes. A beleza não é privilégio de uns quantos nomes ilustres.”
Jorge Luís Borges, “Los Conjurados”
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Citação erótica
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Thanatos: o desejo de destruição
O simpático vizinho divorciado de Maria voltou a convidá-la para sair e ela voltou a recusar e a sentir-se infeliz e miserável por ter recusado. Passou horas a beber no canto escuro de um bar e quando saiu para a rua mal se segurava de pé. Cambaleava, tropeçava nos próprios pés e caiu algumas vezes.
Estimulado pela bebedeira, mas proveniente das zonas mais profundas da mente, um estranho impulso de sujar, destruir e magoar tomou conta de Maria. Quando uma turista inglesa se debruçou sobre ela para a ajudar a levantar, após uma das quedas, Maria chamou-lhe “bitch” e apalpou-lhe os fartos seios com violência. A mulher deu um passo atrás, surpreendida e assustada, e afastou-se fazendo um gesto de desdém. Maria levantou-se, frustrada porque nenhum dos transeuntes parecia ter-se apercebido do que ela tinha feito.
"Merda de psicólogo! Ele que se vá foder com as suas teorias! Desejo de morte e destruição a puta que o pariu! Thanatos deve mas é ser nome de cão em grego!" - Pensou a mente confusa e etilizada de Maria.
Viu um homem de vinte e poucos anos a empurrar um carrinho de bebé e, aproximando-se por trás, apalpou-lhe o traseiro e o pénis. Quando este se voltou, surpreendido e pálido, deu-lhe uma bofetada e disse para uma estupefacta vendedora ambulante de flores: “Porra! Tem uma picha tão pequena que … hic! não sei como conseguiu fazer um filho!”
Caminhou pela rua abaixo num passo trôpego e aproximou-se de dois homens de meia-idade que conversavam enquanto iam folheando o jornal. Depois de pronunciar um alcoolizado boa tarde, Maria disse: “Ontem ouvi as vossas mulheres a conversar com algumas amigas… Hic! Contaram que vocês, seus pandeleiros de merda, não conseguiam satisfazê-las na cama. Elas achavam que a culpa era da cerveja e do futebol, mas as amigas explicaram-lhes que vocês são dois grandes maricas e que andam a enrabar-se um ao outro e… Hic! Agora toda a cidade sabe! Seus maricas!” Estas últimas palavras foram ditas a gritar, pelo que diversas pessoas olharam para Maria com curiosidade e reprovação. Os dois homens olharam um para o outro e afastaram-se dela, dizendo que ela “além de bêbeda deve ser maluca”. As pessoas que estavam por perto concordaram: “sim, está com os copos e é maluca”. Maria olhou-as com um ar enraivecido e chamou-lhes “filhos da puta brochistas” e depois caiu outra vez. Ninguém se aproximou para a ajudar.
Quando se levantou foi acometida por uma grande convulsão e vomitou. Ficou com os sapatos e o vestido todos sujos, mas nem olhou. Foi andando ao acaso pela rua, cabisbaixa e com as lágrimas a correrem-lhe em cascata. Encostou-se a uma parede e voltou a vomitar. As pessoas que passavam abanavam a cabeça e desviavam o olhar. Maria via-as através das lágrimas mas não disse mais nada. Quando recomeçou a andar em direcção a casa esbofeteou-se a si própria quatro vezes e com tanta força que um fio de sangue começou a escorrer do canto da boca. O impulso destrutivo tinha-se virado contra ela. Aproximou-se de uma carrinha estacionada no passeio e sem que ninguém visse bateu com a cabeça contra o metal. O sangue começou também a escorrer do nariz. Meteu por uma rua escura e quase deserta e antes de chegar a casa voltou a esbofetear-se. O vómito, as lágrimas e o sangue colavam-lhe o vestido de linho ao corpo. Se alguém olhasse com atenção suficiente talvez conseguisse ver, para além da repugnante sujidade, a beleza e a sensualidade.
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Maria
sábado, 26 de junho de 2010
Geografia sentimental
"Sem desfazer do cu, a cona e as mamas da minha mulher são os lugares mais bonitos do mundo!"
Manuel Caracoleta, 56 anos, pedreiro, apreciador de cerveja e futebol.
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Citação erótica
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A necessidade do amor infeliz
“O amor feliz não tem história. Só existem romances de amor mortal, isto é, do amor ameaçado e condenado pela própria vida. O que exalta o lirismo (…) não é o prazer dos sentidos nem a paz fecunda do casal. É menos o amor realizado que a paixão de amor. E paixão significa sofrimento. Eis o facto fundamental.”
Denis de Rougemont, O amor e o Ocidente
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Citação erótica
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Fuga para a frente
Um psicólogo explicou um dia a Maria que ela não estabelecia relações afectivas estáveis e mudava constantemente de parceiro sexual para camuflar a falta de auto-estima e o medo de ser rejeitada. Era uma predadora sexual que abordava homens desconhecidos e os convidava abruptamente a ir para a cama apenas porque se achava feia e temia que ninguém se interessasse por ela e a amasse verdadeiramente. Como se fugisse para a frente, concluiu o psicólogo com um sorriso compreensivo. Sem pensar duas vezes, Maria disse-lhe que estava enganado e abandonou tão precipitadamente o consultório que se esqueceu de pagar a consulta.
Foi nessa saída precipitada que pensou quando, meses mais tarde, o seu simpático vizinho do lado esquerdo, um bonito divorciado de trinta e tal anos, a convidou para sair. Maria gostou do seu sorriso simpático embora levemente irónico e adorou o modo atrapalhado como ele disse “…ver um filme ou jantar… ou ambos”, mas disse que não podia e inventou uma mentira gaguejada e implausível que envolvia excesso de trabalho e dores de cabeça.
Maria saiu quase a correr do elevador e fechou a porta de casa atrás de si com uma força que não sentia, odiando-se por ter dito que não. Não sabia porque tinha recusado, mas ao pensar nisso as palavras do psicólogo invadiam-lhe a mente e tapavam os outros pensamentos. Começou por ficar irritada - “parvo do psicólogo”, disse em voz alta -, mas em poucos minutos a raiva transformou-se em tristeza e as lágrimas começaram a deslizar devagarinho pela cara abaixo. Maria, que raramente chorava e tinha fama de cruel, deixou-se cair em cima de sofá com um copo de whisky na mão.
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Maria
sábado, 19 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mercearia de bairro
Tomé nem queria acreditar: a dona Fátima da mercearia estava meio deitada sobre os sacos de batatas e João Calado, o rapaz negro que ia entregar as hortaliças que ela comprava na horta do velho Espraguina, penetrava-a por trás. Tomé ficou a espreitar, escondido atrás da prateleira das massas e do arroz. "Com força, enfia com força", gemia ela. Quando, depois de alguns gemidos mais intensos, o rapaz se desenfiou e dona Fátima se levantou, Tomé saiu silenciosamente para a rua. Dois minutos depois voltou a entrar, com um sonoro "boa tarde" a acompanhar o segundo passo. Viu diante de si o rapaz, que não tinha mais de 16 anos ("o sortudo do preto", pensou Tomé, com simpatia), carregando duas caixas vazias. Por seu turno, dona Fátima varria a mercearia: jogava a vassoura debaixo das prateleiras com um ar tão atarefado e compenetrado que parecia estar a fazer aquilo há pelo menos uma hora.
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Tomé
terça-feira, 1 de junho de 2010
Futebol de ataque
Maria observou com atenção os vários rapazes que estavam a jogar à bola. Eram quase todos ainda crianças e não lhe interessavam, mas o mais velho já tinha certamente 17 ou mesmo 18 anos. Era alto, bastante musculado, muito loiro e bonito. "Lindo de morrer", pensou Maria. Estava em tronco nu e o suor escorria pela sua pele morena, sobre os músculos bem delineados. Encharcados em suor, os calções colavam-se à pele e não escondiam o robusto volume viril entre as ágeis pernas. Quando o rapaz saiu do campo e tirou uma garrafa de água da mochila, Maria aproximou-se impetuosamente dele e disse-lhe sem rodeios: "Jogas bem futebol, mas aposto que nunca estiveste com uma mulher. Queres fazer amor comigo?" O rapaz, atónito, balbuciou: "O quê?!" Maria atacou novamente e respondeu numa linguagem directa que não é usual utilizar com desconhecidos, mormente se o assunto é sexual: "Fazer amor comigo! Ir para a cama, foder... Queres?"
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Maria
domingo, 30 de maio de 2010
Erotismo conservador e conformista
Depois de passar horas a ver sites e blogues ditos eróticos, Tomé concluiu com tristeza:
- Nem na Igreja Católica se encontra tanto conservadorismo e conformismo! Esta gente não percebe nada de sexo, nem - bem vistas as coisas - da vida. Viva a liberdade, porra!
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Tomé
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