SONETO DO PRAZER EFÉMERO
Dizem que o rei cruel do Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:
Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.
Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?
Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!
Bocage
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Bela e sem nariz
Esta mulher é muito, muito bela. Feia é a ignorância, feia é a intolerância, feio é o fanatismo.
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Reflexão erótica
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Chantagem deliciosa
Demasiado bêbada para se lembrar da taxista deficiente e do seu insinuante elogio, Sofia chegou a casa e dormiu muitas horas seguidas. A ressaca foi absorvida pelos seus sonhos inquietos e desconexos e, por isso, acordou bem-disposta. Feliz, até. Quando estava a tomar um pequeno-almoço muito tardio, com a mente dividida entre a taxista e Marta, tocaram à porta. Era uma mulher, quase uma rapariga, a vender colares, cuja artesã era a própria. Eram bonitos, sobretudos se observados na mão da sua criadora e vendedora – uma mulata magra, mas bela e repleta de curvas sensuais. Sofia convidou-a a entrar e mostrou-se interessada nos colares. Ofereceu-lhe um sumo de laranja e, no meio de algumas perguntas sobre os preços e a variedade de cores e formas, perguntou se se podiam tratar por tu. Enquanto experimentava os colares, diante de um espelho que tinha ido buscar, foi direita ao assunto:
- Olha… Eu não costumo ser assim tão directa e rápida e tenho dúvidas que isto seja muito ético… Para falar verdade, tenho a certeza que é errado, mas…
- O que estás para aí a dizer? Vais roubar-me os colares?
- Não, não… Compro-te os colares todos, se fizeres amor comigo.
A mulata riu com um riso quase tão deslumbrante como o de Marta e disse:
- Que chantagem deliciosa! É como se me pagasses a dobrar… Que digo eu? Linda como és, é como se pagasses dez vezes mais! Porque é que disseste que é errado?
- Quer dizer que aceitas?
- Minha querida, eu até pagava para ir para a cama conti…
Sofia interrompeu-a com uma carícia súbita nos cabelos e depois atraiu-a a si e colou os seus lábios aos dela.
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Sofia
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Boca de metal
A rapariga que vendeu o jornal a Maria deu-lhe o troco juntamente com um simpático sorriso, dividindo a atenção entre o trabalho e o namorado que tinha acabado de chegar. Era bonita, mas tinha um aparelho nos dentes que fazia da sua boca um surpreendente buraco prateado e metálico, como se fosse uma fenda numa máquina. Maria ignorou a simpatia e o brilho de felicidade nos olhos da rapariga, ignorou o amor e a ternura que havia nos gestos do rapaz, esqueceu que conhecia ambos há anos, e, empurrada por um desejo de magoar e ferir não apenas aqueles dois jovens mas o mundo inteiro, vociferou raivosamente:
- Ouve lá ò Cecília Marreca: com essa serra que tens nos dentes de certeza que não consegues fazer um broche ao picha mole do teu namorado! E toda a gente sabe que essa é a única maneira dele endireitá-la por um bocadinho! Por isso… Para que são esses sorrisos felizes?
E saiu porta fora, sem esperar pela resposta do atónito casal e derrubando propositadamente uma pilha de revistas que esperavam a arruamção.
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Maria
terça-feira, 20 de julho de 2010
O que é a vida?
"A vida é uma soda!"
Fócrates
Fócrates
(Li esta afirmação, e respectiva autoria, na porta de uma casa de banho masculina numa Universidade de Lisboa, lado a lado com pérolas literárias deste quilate: "O primeiro-ministro além de ladrão é maricas", "A mãe do Zé faz uns broches do caralho!", "A Carolina Matias é a maior puta da Faculdade", "Rapaz bonito quer foder e ser fodido"...)
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Citação erótica
domingo, 18 de julho de 2010
Masturbação motorizada
Tomé meteu por uma estrada secundária. Levaria mais tempo a chegar, mas estava farto do trânsito e dos adeptos da velocidade que enchiam a auto-estrada. Além disso, a paisagem era mais bonita. A certa altura, numa estradazinha que atravessava um bosque viu ao longe uma mota que vinha na sua direcção. Não era bem uma mota, percebeu quando a distância diminuiu. Mais parecia uma simples bicicleta a que, alguém habilidoso, tinha acrescentado um motor. Trazia duas pessoas. Quando a distância permitiu distinguir pormenores, Tomé verificou que se tratava de um homem e de uma mulher muito altos e louros e que ambos pareciam estar nus. Tomé reduziu a velocidade para poder observar melhor e, ainda com espanto, verificou que a mulher - que ia sentada a atrás - tinha o braço estendido de modo a agarrar o pénis do homem. Estava a masturbá-lo! Tomé diminuiu ainda mais a velocidade e quando estava a cerca de dois metros do estranho par viu o esperma saltar abundantemente para o ar, indo cair no guiador da motorizada e no asfalto sujo da estrada campestre. O homem emitiu alguns gemidos de prazer misturados com palavras ditas numa áspera língua nórdica qualquer que Tomé conseguiu ouvir, apesar do barulho dos motores e do chilrear intenso dos pássaros. Quando passaram ao lado do carro de Tomé o homem e a mulher sorriram-lhe com simpatia e acenaram. Tomé correspondeu e, antes de acelerar e os deixar para trás, ainda teve tempo de ver um pouco de esperma a escorrer pela mão da mulher abaixo.
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Tomé
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Uma nova vida
O coração do Guilherme estremeceu quando a viu entrar, muito atrasada, na primeira aula do primeiro dia de aulas na Universidade - e, esperava ele, na sua nova vida. O cabelo castanho claro em desalinho rodeava um rosto regular e moreno de mulher jovem que ainda não se convenceu completamente que já não é rapariga. Olhando outra vez, percebia-se que era um rosto muito bonito, habitado por uma beleza imensa e fora do comum, mas que não se impunha à falta de atenção e precisava de ser descoberta. Tinha um vestido branco discreto e largo que sugeria um corpo sensual, embora não revelasse nenhum dos seus segredos.
Havia poucos lugares vazios, um deles ao lado de Guilherme. Sentou-se e, depois de escutar durante alguns segundos a monocórdica explicação do professor sobre a bibliografia do tema B, virou-se e perguntou baixinho: “Começou há muito tempo?” Guilherme teve a sensação de que o sorriso que se seguiu à pergunta tinha enchido a sala de luz e de música. Era uma luz que, além de ser visível, podia ser tocada e era uma música que, além de se ouvir, desprendia aromas inebriantes. Guilherme sentiu que se quisesse poderia voar e que só não voava porque queria estar ao pé dela. Por isso, foi com atrapalhação que percebeu que a voz lhe saiu fanhosa e que a frase “Começou mais ou menos há 20 minutos” soara como um grasnado de pato.
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Guilherme
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Sem cura
Quando o médico lhe disse que estava quase, quase curada e suficientemente boa para ir para casa, Maria teve um dos seus impulsos maldosos e destrutivos, mas, ao reparar no seu rosto bondoso e enrugado pelos anos, conteve os insultos que pululavam na sua garganta e abafou na origem o desejo de lhe apalpar agressivamente o sexo. Foi arrumar as suas coisas com a cara lavada em lágrimas e em silêncio, indiferente às perguntas das enfermeiras. Quando pensou que “estava tudo menos curada” sentiu vontade de bater com a cabeça na parede e atirar-se pela janela. Mas algo a demoveu e não foi o facto de se tratar do 9º andar. Maria não queria perturbar rosto bondoso do velho médico.
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Maria
terça-feira, 13 de julho de 2010
Inatingível como a Lua
A nova colega de José era uma daquelas mulheres que fazem os homens virar a cabeça na sua direcção, mesmo que sejam pudicos ou amem muito as suas esposas. Tinha um rosto bonito e, aplicada a si, a expressão “corpo de sonho” deixava de ser uma metáfora gasta pelo uso e tornava-se uma descrição tão objectiva como dizer que as mulheres têm dois seios.
José ouviu os colegas comentarem milimetricamente as suas curvas e “o grande tesão” que sentiam ao vê-la - “fico sempre com uma erecção do caraças”, disse um com a aprovação dos outros todos.
O olhar de José também se afogava nos detalhes do corpo da colega e seguia os seus movimentos e maneios como se nela houvesse um íman para os olhos. Mas fazia-o sem a exaltação masculina e sem o orgulho viril dos colegas. Observava-a com um desejo envergonhado e sujo de tristeza. Em vez de uma veemente erecção ele sentia que, não só o seu pénis como também o seu coração, encolhiam. A visão daquele traseiro opulento fazia-o sentir pequenino, frágil e incapaz - “não tenho picha para aquilo”, murmurava, recordando o seu pénis flácido e indiferente ao corpo nu da esposa roçando-se no seu. Normalmente José só conseguia ter uma erecção se a esposa o chupasse. Isso fazia-o sentir-se desprezível: “As mulheres gostam de chupar uma picha porque a vêem grande, não gostam de chupar para a empinar”.
Passou um colega e disse: “Zé! Estás a chorar?!” José deu uma desculpa vaga relacionada com reacções alérgicas a um medicamento, mas a faísca que disparara as lágrimas fora o pensamento de que as suas erecções, além de difíceis de alcançar, serviam de pouco, pois a rapidez com que ejaculava condenava sempre a sua parceira à frustração.
José limpou as lágrimas com um lenço e encolheu-se sobre si mesmo. Sentia nojo de si próprio e, ao ver o seu reflexo na superfície espelhada de um armário, comparou-se a um papel amarrotado e sujo, tão peganhento e repelente que uma pessoa em vez de lhe jogar mão e pô-lo imediatamente no lixo vai antes buscar a pá e a vassoura.
“Não presto”, murmurou. Vista do buraco da sua vida, a linda nova colega de José era inatingível como a Lua.
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José
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Conversa entre dois psicólogos depois de fazerem amor
Um psicólogo e uma psicóloga, ambos behavioristas (ou seja, comportamentalistas), depois de fazerem amor olharam-se ternamente nos olhos. "Tu gostaste", informou ele. Enquanto lhe acariciava os longos cabelos, falou novamente: "E eu? Gostei?"
(Nota: para perceber a piada é preciso saber o que é o behaviorismo.)
(Nota: para perceber a piada é preciso saber o que é o behaviorismo.)
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Anedotas eróticas
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Poema erótico de Bertold Brecht
O COITO E A SAUNA
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertold Brecht
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertold Brecht
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Poemas eróticos
Fingir
"Se os homens não querem que as mulheres finjam orgasmos não devem fingir nos preliminares."
Autora desconhecida
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Citação erótica
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Desejo morto
As dores da doença e o enjoo provocado pelos tratamentos tinham-lhe matado o desejo. Tentou convencê-lo a ir para a cama com outra mulher, mas não conseguiu: ele recusava em silêncio e impedia-a de insistir acariciando-lhe os lábios com os seus dedos longos de pianista. Essa recusa encheu-a de lágrimas e ternura e multiplicou o amor que sentia por ele, mas foi insuficiente para reacender o desejo no seu corpo massacrado pelo sofrimento. Sabia que ele precisava de sexo quase tanto como ela precisava dos comprimidos para as dores (antes de adoecer faziam amor três ou quatro vezes por dia) e observava uma certa agitação e tensão nos seus gestos, escondidas atrás da atenção e solicitude constante que ele lhe dedicava.
Pediu para ele se deitar ao lado dela na estreita cama do quarto privativo da Clínica Oncológica. Acariciou-lhe o peito peludo com carinho, mas sem o frenesim insaciável de outrora. Depois a sua mão percorreu o caminho que tão bem conhecia e foi acariciar o surpreendido e flácido pénis. Apesar do inicial protesto dele, o membro tão esquecido e negligenciado nas últimas semanas reagiu prontamente com uma compacta erecção. A sua mão magra, mas não esquecida da antiga sabedoria, desapertou rapidamente os botões e tirou o animal renascido para fora. Não olhou, para não aumentar ainda mais a mágoa e a culpa desesperada que a ausência de desejo a faziam sentir. Fez os movimentos que a memória das acções passadas lhe recomendou e, apesar da sua falta de calor, foi bem sucedida. O pénis inchou de excitação na sua mão fechada e pouco depois recompensou o seu esforço com uma abundante ejaculação, acompanhada de um crescendo de gemidos de prazer.
“Obrigado”, disse ele com uma pontinha de vergonha, enquanto limpava o esperma com uma toalha. “Obrigada eu, meu amor! Obrigada por existires!”, respondeu ela.
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Casal
sábado, 3 de julho de 2010
Há coisas que não são eróticas
Desde que, há oito anos, fora viver naquela casa, Tomé - com a ajuda dos seus binóculos de observar pássaros - conseguira várias vezes ver um vizinho do prédio a ter relações sexuais. Com a esposa, com a irmã e com as filhas, que eram raparigas de dezassete ou dezoito anos e que agora já iam nos vinte e tais. Nunca passaria pela cabeça de Tomé ir para a cama com a irmã, apesar de esta ser dona de uma sensualidade esplendorosa, nem com as filhas, se as tivesse. Mesmo assim, aos seus olhos, o facto dos amantes que espreitava terem laços de parentesco acrescentava um delicioso travo de coisa proibida às cenas e parecia reforçar o seu erotismo e atracção. Mas um dia Tomé observou algo inédito e chocante: a parceira de coito do vizinho da frente era uma criança. Focou melhor os binóculos e reconheceu-a: era uma das netas do homem e não devia ter mais de sete anos. Aquelas lentes tinham custado uma fortuna, mas conseguiam mostrar com nitidez as cores de um pássaro a muitas dezenas de metros. E agora conseguiam impedir que a distância escondesse as lágrimas da menina do olhar consternado de Tomé. Este pousou os binóculos, pegou no telemóvel e telefonou para a Polícia. Enquanto esperava que a chamada fosse atendida murmurou para si próprio: “Merda! Há coisas que não se fazem! Há coisas que… Há coisas que não são eróticas!”
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Tomé
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Qual dos dois tem razão?
“O Belo é difícil.”
Platão
Platão
“Com o correr dos anos, observei que a beleza, tal como a felicidade, é frequente. Não se passa um dia em que não estejamos, um instante, no paraíso. Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o melhor verso da literatura, mas também os mais infelizes. A beleza não é privilégio de uns quantos nomes ilustres.”
Jorge Luís Borges, “Los Conjurados”
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Citação erótica
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Thanatos: o desejo de destruição
O simpático vizinho divorciado de Maria voltou a convidá-la para sair e ela voltou a recusar e a sentir-se infeliz e miserável por ter recusado. Passou horas a beber no canto escuro de um bar e quando saiu para a rua mal se segurava de pé. Cambaleava, tropeçava nos próprios pés e caiu algumas vezes.
Estimulado pela bebedeira, mas proveniente das zonas mais profundas da mente, um estranho impulso de sujar, destruir e magoar tomou conta de Maria. Quando uma turista inglesa se debruçou sobre ela para a ajudar a levantar, após uma das quedas, Maria chamou-lhe “bitch” e apalpou-lhe os fartos seios com violência. A mulher deu um passo atrás, surpreendida e assustada, e afastou-se fazendo um gesto de desdém. Maria levantou-se, frustrada porque nenhum dos transeuntes parecia ter-se apercebido do que ela tinha feito.
"Merda de psicólogo! Ele que se vá foder com as suas teorias! Desejo de morte e destruição a puta que o pariu! Thanatos deve mas é ser nome de cão em grego!" - Pensou a mente confusa e etilizada de Maria.
Viu um homem de vinte e poucos anos a empurrar um carrinho de bebé e, aproximando-se por trás, apalpou-lhe o traseiro e o pénis. Quando este se voltou, surpreendido e pálido, deu-lhe uma bofetada e disse para uma estupefacta vendedora ambulante de flores: “Porra! Tem uma picha tão pequena que … hic! não sei como conseguiu fazer um filho!”
Caminhou pela rua abaixo num passo trôpego e aproximou-se de dois homens de meia-idade que conversavam enquanto iam folheando o jornal. Depois de pronunciar um alcoolizado boa tarde, Maria disse: “Ontem ouvi as vossas mulheres a conversar com algumas amigas… Hic! Contaram que vocês, seus pandeleiros de merda, não conseguiam satisfazê-las na cama. Elas achavam que a culpa era da cerveja e do futebol, mas as amigas explicaram-lhes que vocês são dois grandes maricas e que andam a enrabar-se um ao outro e… Hic! Agora toda a cidade sabe! Seus maricas!” Estas últimas palavras foram ditas a gritar, pelo que diversas pessoas olharam para Maria com curiosidade e reprovação. Os dois homens olharam um para o outro e afastaram-se dela, dizendo que ela “além de bêbeda deve ser maluca”. As pessoas que estavam por perto concordaram: “sim, está com os copos e é maluca”. Maria olhou-as com um ar enraivecido e chamou-lhes “filhos da puta brochistas” e depois caiu outra vez. Ninguém se aproximou para a ajudar.
Quando se levantou foi acometida por uma grande convulsão e vomitou. Ficou com os sapatos e o vestido todos sujos, mas nem olhou. Foi andando ao acaso pela rua, cabisbaixa e com as lágrimas a correrem-lhe em cascata. Encostou-se a uma parede e voltou a vomitar. As pessoas que passavam abanavam a cabeça e desviavam o olhar. Maria via-as através das lágrimas mas não disse mais nada. Quando recomeçou a andar em direcção a casa esbofeteou-se a si própria quatro vezes e com tanta força que um fio de sangue começou a escorrer do canto da boca. O impulso destrutivo tinha-se virado contra ela. Aproximou-se de uma carrinha estacionada no passeio e sem que ninguém visse bateu com a cabeça contra o metal. O sangue começou também a escorrer do nariz. Meteu por uma rua escura e quase deserta e antes de chegar a casa voltou a esbofetear-se. O vómito, as lágrimas e o sangue colavam-lhe o vestido de linho ao corpo. Se alguém olhasse com atenção suficiente talvez conseguisse ver, para além da repugnante sujidade, a beleza e a sensualidade.
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Maria
sábado, 26 de junho de 2010
Geografia sentimental
"Sem desfazer do cu, a cona e as mamas da minha mulher são os lugares mais bonitos do mundo!"
Manuel Caracoleta, 56 anos, pedreiro, apreciador de cerveja e futebol.
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Citação erótica
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A necessidade do amor infeliz
“O amor feliz não tem história. Só existem romances de amor mortal, isto é, do amor ameaçado e condenado pela própria vida. O que exalta o lirismo (…) não é o prazer dos sentidos nem a paz fecunda do casal. É menos o amor realizado que a paixão de amor. E paixão significa sofrimento. Eis o facto fundamental.”
Denis de Rougemont, O amor e o Ocidente
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Citação erótica
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Fuga para a frente
Um psicólogo explicou um dia a Maria que ela não estabelecia relações afectivas estáveis e mudava constantemente de parceiro sexual para camuflar a falta de auto-estima e o medo de ser rejeitada. Era uma predadora sexual que abordava homens desconhecidos e os convidava abruptamente a ir para a cama apenas porque se achava feia e temia que ninguém se interessasse por ela e a amasse verdadeiramente. Como se fugisse para a frente, concluiu o psicólogo com um sorriso compreensivo. Sem pensar duas vezes, Maria disse-lhe que estava enganado e abandonou tão precipitadamente o consultório que se esqueceu de pagar a consulta.
Foi nessa saída precipitada que pensou quando, meses mais tarde, o seu simpático vizinho do lado esquerdo, um bonito divorciado de trinta e tal anos, a convidou para sair. Maria gostou do seu sorriso simpático embora levemente irónico e adorou o modo atrapalhado como ele disse “…ver um filme ou jantar… ou ambos”, mas disse que não podia e inventou uma mentira gaguejada e implausível que envolvia excesso de trabalho e dores de cabeça.
Maria saiu quase a correr do elevador e fechou a porta de casa atrás de si com uma força que não sentia, odiando-se por ter dito que não. Não sabia porque tinha recusado, mas ao pensar nisso as palavras do psicólogo invadiam-lhe a mente e tapavam os outros pensamentos. Começou por ficar irritada - “parvo do psicólogo”, disse em voz alta -, mas em poucos minutos a raiva transformou-se em tristeza e as lágrimas começaram a deslizar devagarinho pela cara abaixo. Maria, que raramente chorava e tinha fama de cruel, deixou-se cair em cima de sofá com um copo de whisky na mão.
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Maria
sábado, 19 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Mercearia de bairro
Tomé nem queria acreditar: a dona Fátima da mercearia estava meio deitada sobre os sacos de batatas e João Calado, o rapaz negro que ia entregar as hortaliças que ela comprava na horta do velho Espraguina, penetrava-a por trás. Tomé ficou a espreitar, escondido atrás da prateleira das massas e do arroz. "Com força, enfia com força", gemia ela. Quando, depois de alguns gemidos mais intensos, o rapaz se desenfiou e dona Fátima se levantou, Tomé saiu silenciosamente para a rua. Dois minutos depois voltou a entrar, com um sonoro "boa tarde" a acompanhar o segundo passo. Viu diante de si o rapaz, que não tinha mais de 16 anos ("o sortudo do preto", pensou Tomé, com simpatia), carregando duas caixas vazias. Por seu turno, dona Fátima varria a mercearia: jogava a vassoura debaixo das prateleiras com um ar tão atarefado e compenetrado que parecia estar a fazer aquilo há pelo menos uma hora.
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Tomé
terça-feira, 1 de junho de 2010
Futebol de ataque
Maria observou com atenção os vários rapazes que estavam a jogar à bola. Eram quase todos ainda crianças e não lhe interessavam, mas o mais velho já tinha certamente 17 ou mesmo 18 anos. Era alto, bastante musculado, muito loiro e bonito. "Lindo de morrer", pensou Maria. Estava em tronco nu e o suor escorria pela sua pele morena, sobre os músculos bem delineados. Encharcados em suor, os calções colavam-se à pele e não escondiam o robusto volume viril entre as ágeis pernas. Quando o rapaz saiu do campo e tirou uma garrafa de água da mochila, Maria aproximou-se impetuosamente dele e disse-lhe sem rodeios: "Jogas bem futebol, mas aposto que nunca estiveste com uma mulher. Queres fazer amor comigo?" O rapaz, atónito, balbuciou: "O quê?!" Maria atacou novamente e respondeu numa linguagem directa que não é usual utilizar com desconhecidos, mormente se o assunto é sexual: "Fazer amor comigo! Ir para a cama, foder... Queres?"
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Maria
domingo, 30 de maio de 2010
Erotismo conservador e conformista
Depois de passar horas a ver sites e blogues ditos eróticos, Tomé concluiu com tristeza:
- Nem na Igreja Católica se encontra tanto conservadorismo e conformismo! Esta gente não percebe nada de sexo, nem - bem vistas as coisas - da vida. Viva a liberdade, porra!
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Tomé
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Salada de álcool e desejo
Sofia bebeu demais na festa de anos do chefe. Foi a única maneira que encontrou para compensar a frustração que a invadiu quando percebeu que a Marta não iria à festa. Mas, seja qual for o motivo que leva a mão a pegar no copo, a verdade é que vodka e vinho tinto não ligam bem, principalmente se bebidos em grandes quantidades. Quando saiu para a rua, Sofia percebeu que não conseguiria conduzir até casa. Por isso, caminhou em frente à procura de um táxi. Viu um ao fim de poucos minutos e acenou. Era conduzido por uma mulher: jovem e simpática, mas com uma cara extraordinariamente feia. Ao sentar-se a seu lado, Sofia reparou que tinha também uma deficiência qualquer numa das pernas (o que explicava as muletas no banco de trás). Todavia, o que prendeu o seu olhar e a impediu de pronunciar a morada de modo inteligível foram os enormes e firmes seios da taxista. Os biquinhos quase rompiam a blusa azul, tão tesos eram. Sofia gaguejou novamente o nome da rua onde vivia e depois - ajudada pela salada de vinho e vodka - acrescentou:
- Minha senhora... hic, deixe que lhe diga, hic, que tem as mamas mais bonitas que já vi na vida. Nem a Marta consegue competir consigo, hic.
A mulher sorriu e respondeu:
- Se as dessa Marta são melhores que as suas, então ela é um caso sério!
- Hic!
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Plenitude
Sebastião pegou em vários lenços de papel e limpou rapidamente o esperma do pénis, dos pêlos púbicos e do ventre. Depois, tirou do bolso um lenço branco de linho e perguntou ao rapaz se o podia limpar. Sem esperar pela resposta deste, ajoelhou-se e limpou-o com movimentos lentos e exageradamente precisos. Apesar dessa minúcia, ainda sobraram restos de esperma nos pêlos púbicos e no pénis do rapaz. Acariciou-lhe a perna e depois os testículos com a mão livre. O pénis começou a enrijecer novamente, mas Sebastião meteu-o na boca ainda antes de estar completamente duro e empinado. Era a primeira vez que fazia aquilo, mas não estranhou o sabor, pois já tinha provado o seu próprio esperma. Fez vários movimentos de vai e vem e depois abocanhou só a ponta e chupou, de modo intenso mas suave. O rapaz gemia de olhos fechados, como se quisesse concentrar-se melhor no prazer. Sebastião lambeu-lhe os testículos e depois voltou a chupá-lo num voraz vai e vem. O pénis do rapaz enchia-lhe a boca e agredia-lhe a garganta, mas isso não lhe causava nenhum mal-estar. Pelo contrário, dava-lhe um prazer que excedia em muito o corpo e lhe invadia a mente. Como se pénis do rapaz estivesse a foder-lhe não apenas a boca, mas o próprio coração e, para além do coração, o seu próprio ser - a sua essência mais íntima e autêntica. Sebastião sentia-se cheio, completo, realizado e feliz, muito feliz. Fazer um broche àquele rapaz bonito, num castelo velho com mais memórias do que pedras, fazia-o experimentar uma sensação de plenitude que nunca tinha conhecido. “Nasci para isto”, pensou. Quando sentiu na boca um liquidozinho, como que a sentinela avançada das vagas de esperma que a ejaculação traria, a sensação de plenitude cresceu e transformou-se num arrebatamento desvairado e veemente. O ritmo do vai e vem chupista tornou-se frenético. As suas mãos, que já há minutos acariciavam as nádegas e as pernas do rapaz, tornaram-se mais ousadas e sofregamente dirigiram-se até ao seu ânus. Este disse, numa mistura de palavras e gemidos: “Sim, sim! Mexe-me no cu que eu gosto!” Sebastião enfiou-lhe o dedo no ânus, sem abrandar o ritmo a que o chupava. Quando o dedo ficou completamente enfiado, os gemidos do rapaz transformaram-se em urros misturados com palavrões, em que o verbo enrabar era várias vezes conjugado. O rapaz começou também a mover-se para obrigar o dedo a enterrar-se mais no seu ânus. O frenesim dos dois era tão grande que, de cada vez que Sebastião engolia o pénis, tocava nos pêlos púbicos com os lábios. As golfadas de esperma surpreenderam Sebastião, mas continuou a chupar sem vacilar, até que todo o líquido saiu. Engoliu uma parte, demasiado excitado para não gostar, e limpou com a mão, num gesto insinuante e propositadamente amaricado, a grande quantidade que lhe escorria pelo queixo abaixo.
- É bom?
- Chupar-te foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida!
- Eu adorei tudo o que me fizeste. E agora também te quero chupar.
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Sebastião
terça-feira, 18 de maio de 2010
Cedo de mais
A ejaculação chegou cerca de trinta segundos depois de José a ter penetrado, ainda ela não se tinha sequer aproximado da metade do caminho até ao orgasmo. José tirou o corpo pesado e pouco ágil de cima do insatisfeito corpo da mulher e afundou a cara nos lençóis. Nenhum dos dois falou. Ela não fingia orgasmos, mas tentava sempre disfarçar a frustração. Fez um esforço para normalizar a respiração e largou uma carícia nos ombros de José, logo seguida de um rápido beijo nos cabelos. Depois, com uma lentidão involuntariamente sonora, virou-se na cama como se fosse dormir. A sua infelicidade era aguda como uma dor, mas a obscuridade do quarto tornava-a invisível e incomunicável. Esperavam-na horas de insónia, a ouvi-lo ressonar e a cheirar as exalações do litro de vinho que ele tinha bebido ao jantar. José gostaria de a beijar e abraçar, mas não queria que ela percebesse as suas lágrimas. Murmurou baixinho “não presto para nada” e ao fim de poucos minutos adormeceu, submerso nos vapores do álcool com que todos os dias se anestesiava.
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José
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Cancro na alma
- Está aqui o número. Telefona para o médico e pergunta se ele te pode ver hoje.
- Mas para quê? São só umas dores de cabeça…
- Que duram há quase uma semana!
- Isso é porque tenho trabalhado demasiado. Não receies! Não tenho nenhum cancro nem nada do género… Excepto, claro, o meu velho cancro na alma. Ouve: esta tarde não vou trabalhar, durmo a sesta e vais ver que à noite já consigo fazer amor contigo.
- Faz isso, mas vai também ao médico. Ontem prometeste-me! Vai ao médico e…
- Diz que gostas de mim.
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Casal
domingo, 16 de maio de 2010
Dor de cabeça
- E então?
- Desculpa, não me apetece.
- Dói-te a cabeça outra vez?
- Sim.
- Só desculpo se amanhã fores finalmente ao médico e...
- Ok, eu vou! Desculpa isto tudo. Eu gosto de ti e quero fazer amor contigo, mas sinto-me mal e ... Interrompi o que estavas a dizer. O que ias acrescentar?
- Ia dizer que só te desculpo se, além de ires ao médico, me deres um beijinho.
- ...
- Desculpa, não me apetece.
- Dói-te a cabeça outra vez?
- Sim.
- Só desculpo se amanhã fores finalmente ao médico e...
- Ok, eu vou! Desculpa isto tudo. Eu gosto de ti e quero fazer amor contigo, mas sinto-me mal e ... Interrompi o que estavas a dizer. O que ias acrescentar?
- Ia dizer que só te desculpo se, além de ires ao médico, me deres um beijinho.
- ...
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Casal
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A armadilha do diabo
“Os ascetas dizem que a beleza é uma armadilha do diabo e, efectivamente, só a beleza torna tolerável uma necessidade de desordem, de violência e de indignidade que está na raiz do amor.”
Georges Bataille, O Erotismo.
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Citação erótica
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Cabeça perdida
Quando a colega lhe perguntou se podia trocar de turno com ela, Maria perdeu a cabeça e gritou: "Vai à merda, grande puta! Ainda queres mais privilégios? Quantas vezes já mudaste de partido? A quantos chefes já fizestes broches?"
A colega ficou muito vermelha, mas respondeu a Maria de modo calmo: "Nisso de mudar de partido... tenho mais que tu, reconheço. Mas, em relação aos broches profissionais (por assim dizer, cara Maria), pensa bem: não me estarás a ganhar por larga margem? Pensa bem, fofinha: mesmo que contemos aquele minete que te fiz na festa de Natal como se fosse um broche feito por mim, a quantidade de caralhos que te entrou pela boca dentro deste que foste espulsa da escola e começaste a trabalhar não será muito, muito maior que a minha?"
Maria deu-lhe uma bofetada e chamou-lhe "Puta incompetente". "És uma frustrada de merda! Passas a vida a mamar caralhos e nem sequer és capaz de levar o broche até ao fim...Quantas vezes conseguiste engulir sem sentires vómitos?"
A colega não reagiu à bofetada, mas quando ouviu falar de "vómitos" atirou-se em cima de Maria e bateu-lhe com a mala na cabeça. Se ainda houvesse alguém no escritório aquela hora Maria teria gritado para criar escândalo, mas assim, recorrendo à agilidade dada pelos treinos de Judo, limitou-se a afastar-se e a empurrá-la contra a parede. Quando a colega caiu no chão, Maria sentiu-se tomado de uma emoção que nunca tinha sentido na vida e, de modo muito rápido e violento, esbofeteou-a. Quando ela começou a chorar agarrou-lhe nos cabelos como se lhe fosse bater com a cabeça contra a parede, mas, em vez disso, levantou a saia e tirou as cuecas e urinou em cima da colega. Ao ver as lágrimas que esta soltava sentiu vontade de a esbotear outra vez, mas em vez da galheta disse: "És realmente uma frustrada merdosa! O teu amante, aquele gordo imundo e mal cheiroso da Contabilidade, nunca sabe se deve primeiro foder-te a ti ou enrabar o pandeleiro do teu marido... Metes-me nojo!"
Para sincera surpresa de Maria (que é muito menos púdica e moralista que os escassos leitores deste blogue, incluindo aqueles que só falam de sexo), a Maria engoliu e lambeu toda a urina que conseguiu e depois pediu: "Deixa-me lamber-te Maria! Quero enfiar a língua na tua cona e morder outra vez esses pentelhos ruivos!"
Maria foi implacável: "Eu deixo, mas primeiro tens que me lamber o cu! E olha que não deve estar muito limpo pois..."
A frase de Maria foi interrompida por um gesto da colega que não vou descrever e que os caros leitores farão o favor de imginar, se isso não exceder a tolerância da sua imaginação.
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Maria
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Ao ar livre
- Não vamos ao castelo. Vamos antes àquele bosque... Como se chama?
- Mas tinhas dito que querias dar um passeio na Cidade Velha e depois ir ao castelo! Até disseste que quando chegássemos à torre mais alta me fazias um "biquinho"...
- Deu-me uma vontade súbita de levar no cu ao ar livre e no castelo não é possível, apesar de quase ninguém ir à torre. Na outra vez os funcionários desconfiaram de alguma coisa...
- Pudera! Quando te vens fazes mais barulho que uma égua! Mas é verdade que naquele bosque podes gemer e resfolegar à vontade, só os pássaros e as lebres é que te ouvirão.
- Como se tu não fizesses barulho nenhum! Ainda não tens a picha completamente enfiada e já arfas como um cão com sede! Seja como for, faço-te o "biquinho" à mesma...
- Broche seguido de uma enrabadela... Como poderia eu recusar, minha querida?
- Mas tinhas dito que querias dar um passeio na Cidade Velha e depois ir ao castelo! Até disseste que quando chegássemos à torre mais alta me fazias um "biquinho"...
- Deu-me uma vontade súbita de levar no cu ao ar livre e no castelo não é possível, apesar de quase ninguém ir à torre. Na outra vez os funcionários desconfiaram de alguma coisa...
- Pudera! Quando te vens fazes mais barulho que uma égua! Mas é verdade que naquele bosque podes gemer e resfolegar à vontade, só os pássaros e as lebres é que te ouvirão.
- Como se tu não fizesses barulho nenhum! Ainda não tens a picha completamente enfiada e já arfas como um cão com sede! Seja como for, faço-te o "biquinho" à mesma...
- Broche seguido de uma enrabadela... Como poderia eu recusar, minha querida?
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Casal
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Pornografia
- Queres ver um filme pornográfico?
- E se fizéssemos nós a pornografia? Vamos já para a cama e, em vez de quarenta minutos, fodemos três ou quatro horas...
- Pode ser! Só que... não será pornografia! A pornografia está no modo como se mostra e como se vê o sexo, e não nos próprios actos sexuais. Por muito atrevidos que sejamos na cama, por "porcas" que sejam as coisas que lá fazemos, nunca faremos pornografia... Nós apenas fazemos amor, meu amor!
- ... Explica lá isso melhor! E... bem, disseste a palavra "porcas" de maneira estranha... afectada! Porquê?
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Casal
quinta-feira, 25 de março de 2010
Primavera nua
Como o Inverno insiste em não se ir embora, e não despede nem o frio nem a chuva, a coitadinha da Primavera ainda se constipa. Uma vez que o corpo humano é uma fonte natural de calor, o nosso dever é abraçá-la e acariaciá-la, a ver se conseguimos aquecê-la.
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Fotografia
terça-feira, 23 de março de 2010
Anunciação
A dona Imaculada Silva, enquanto varria a Igreja, disse a Tomé que, muito provavelmente, "o senhor padre" se encontrava na Sacristia, "a fazer os preparativos da próxima missa, a preparar-se para anunciar a Palavra de Deus". A porta estava entreaberta e Tomé, que precisava falar com o padre por causa do casamento da irmã, entrou. Mas recuou após o primeiro passo. O padre estava sentado numa cadeira, ainda com o traje clerical usado na missa das 11 horas vestido. Ajoelhada a seus pés estava Purificação Silva, a irmã solteirona da dona Imaculada Silva. Dona Purificação, conhecida pela sua piedade cristã e pureza de valores, tinha o pénis do padre na boca e chupava-o vigorosamente. O padre acariciava-lhe os seios, ocultos sob as sóbrias e castas roupas. Nenhum dos dois deu pela espreitadela de Tomé, que se retirou silenciosamente. Enquanto dava meia volta, fez o sinal da cruz ao passar diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima e lamentou intimamente não poder ficar a ver sem ser visto. Lembrou-se também de um dicionário que Purificação Silva lhe emprestara há meses e resolveu que depois passaria por casa dela para lhe devolver o dicionário e, claro, agradecer o empréstimo. Resolveu também que iria sem se anunciar.
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Tomé
sábado, 20 de março de 2010
Fazer amor em vez de foder
- Mexe-te devagarinho. Assim, suavemente, suavamente. Eu sei que tinha dito que queria ser cavalgada e fodida à bruta, mas afinal... Vamos só fazer amor, está bem?
- ...
- Esse beijinho na cara foi bom! Agora beija-me na boca, mas com ternura. Amanhã voltamos às porcarias porcas, ok?
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Casal
quinta-feira, 18 de março de 2010
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